segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Palácio Nacional da Ajuda

Quem olhar  para a fachada traseira deste  edificio  inacabado, de  estilo neoclássico,  ninguém  poderá imaginar as riquezas albergadas no seu interior, de um dos palácios mais bonitos em Portugal que vi até hoje.

Devido ao terramoto de 1755, o rei D. José I ordenou a construção de um palácio (o último a ser construído em Portugal) num local considerado "seguro", no alto da Ajuda. Livre de sismos mas não do fogo foi aqui construído um antigo palacete, feito em madeira, onde a familia real viveu durante três décadas. Depois deste ter sido destruído por um violento incêndio foi construído o actual palácio, iniciado em 1802, que deveria ser grandioso mas devido às várias interrupções e alterações ficou apenas com um terço do projecto inicial.

Devido às invasões Francesas, o palácio só seria habitado posteriormente. De 1826-28 foi habitado pela regente D. Isabel Maria e em 1862 por D. Luís I e sua esposa D. Maria Pia de Sabóia que o tornaram residência permanente. Também foi aqui neste palácio que D. Miguel foi aclamado rei absoluto e D. Pedro IV jurou a carta constitucional na sala do trono.


Fachada traseira, dianteira e uma das esculturas à entrada do palácio


Declarado monumento nacional desde a implementação da república (1910) foi encerrado e reaberto como museu algumas décadas depois. Actualmente, além de servir de museu e ser uma antiga habitação real é também sede de instituições ligadas à cultura (como o Ministério da Cultura) e palco de cerimónias oficiais do estado.
Podem ser visitados dois pisos, no interior da maior parte do palácio (nas alas nascente e sul), aberto ao público: o térreo ondem podem ser admirados 20 aposentos privados reais e o andar nobre composto por 17 salas onde se realizavam as grandes recepções da realeza.

No piso térreo é obrigatório a visita à Sala do Despacho (onde o Rei recebia os seus súbditos e tratava de documentos oficiais) não sem antes passar pela Sala Grande de Espera (o tecto é lindissimo), à Sala da Música (uma das distracções favoritas da família real), à Sala de Estar, ao Jardim de Inverno (aposento privado com o tecto e as paredes revestidas de ágata da Caledónia), ao Quarto da Rainha, à Sala de Retrato do Rei D. Carlos (as paredes necessitam de restauro), à Sala das Tapeçarias Espanholas, à Sala Rosa (bem feminina, com peças de porcelana, apreciadas essencialmente no século XIX, vindas da região Alemã de Meissen) e à Sala Verde (onde nasceu o rei D. Carlos).

Pormenores da sala grande de espera
Em cima: sala do despacho
Em baixo: sala da música
Em cima: sala de estar
Em baixo: jardim de Inverno
Pormenores do quarto do Rei


Esquerda: sala rosa. Direita: quarto da Rainha


No andar nobre devem ser admiradas as salas: do trono, de baile, do corpo diplomático e o atelier de pintura do rei além da majestosa e faustosa sala de jantar.


Pormenores da sala do trono e escultura da sala de jantar

Pormenores da sala de jantar


As várias e lindas colecções de arte: escultura, joalharia, ouriversaria, pintura, têxteis, trajes, mobiliário, vidro, utensílios e fotografia, presentes em ambos os pisos, são marcas dos últimos vestígios deixados pela realeza nos últimos cinco séculos, em Portugal.


Quadros e fotos dos vários monarcas
Portugueses


Depois demos um belo passeio pelo Jardim Botânico da Ajuda, situado próximo ao palácio. Fundado em 1768, pelo Marquês de Pombal, é considerado o jardim mais antigo de Lisboa e destinava-se a local de recreio da familia Real, com inúmeras espécies vegetais de todo o mundo.  Em 1918, este jardim foi entregue ao Instituto Superior de Agronomia. O ciclone ocorrido em 1941 veio devolver a linda vista sobre o Rio Tejo, devido à destruição de uma grande parte do bosque formado no século anterior.




Horário (Inverno) e preço (adulto):

Palácio Nacional da Ajuda- das 10 às 17.30H; 5€ mas gratuito aos Domingos de manhã.
Jardim Botânico da Ajuda- das 09 às 18.00H; 2€ durante a semana e 1,5€ ao fim de semana.



quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Visita à Casa Museu José Maria da Fonseca (Vinhos de Setúbal)

Conforme falado no post anterior, na viagem à margem sul, o ponto alto foi mesmo a visita à Casa Museu José Maria da Fonseca. Situada em Vila Nogueira de Azeitão, zona de bons vinhos ou não estariamos nós numa região vinícola demarcada por excelência, em particular o famoso vinho dourado, com sabor delicado e perfume suave designado por "moscatel".

 A qualidade do vinho está fortemente influenciada com a qualidade da uva e esta está dependente directamente do clima e do solo utilizado. Na região de Setúbal, se por um lado existem terrenos argilosos e calcários nas montanhas da Árrabida por outro temos numerosas planícies, que aliados a um clima caracterizado por poucas oscilações de temperatura e baixa pluviosidade, pela sua proximidade marítima, garantem assim o crescimento e a fácil manutenção dos vinhedos.


Fachada exterior da casa museu

Aqui, foi possível ver a antiga casa de família de José Maria da Fonseca, sendo que actualmente está na sétima geração e esta é a adega mais antiga de toda a região (produzem vinho desde 1834). Esta empresa tem continuado sempre nesta familia, embora o nome seja actualmente Soares Franco (devido a casamentos acabou por mudar).
No primeiro andar está situado o escritório e na parte de baixo as duas adegas visitáveis.

Inicialmente, começamos por ver uma sala museu onde foram dadas algumas explicações sobre a empresa, o seu espaço, um exemplar da primeira máquina de enchimento mecanizado de 1950 (ver foto abaixo à esquerda), vinda da França, que enchia 240 garrafas por hora, um verdadeiro recorde na época, nos anos 70 (actualmente, o enchimento é feito a larga escala e por hora são cheias 30 000 garrafas por hora)!  O vidro vinha da França e Inglaterra. O vinho Periquita (um dos mais famosos) é o dos mais antigos desta empresa e a ser enchido mecanicamente.




Vimos, também, os vários prémios (constituído por várias medalhas e diplomas expostos numa parede, conforme foto acima). Em 1834, José Maria da Fonseca ganhou pela primeira vez um prémio num vinho e pioneiro, na inovação, desenvolveu as vinhas em paralelo, o que permitiu que se pudesse utilizar máquinas entre as parreiras, numa época onde ainda não existiam máquinas para tal. Em 1855, o vinho "moscatel da casa" ganhou pela primeira vez uma medalha, em Paris.

Existem vinhedos no Douro, Alentejo e claro está Setúbal, compreendendo mais de 600 hectares que são utilizados nos vinhos aqui produzidos. Além do consumo interno também são feitas muitas exportações: o famoso "Periquita" para o Brasil, o "Lancers" para a América do Norte e outros para os países nórdicos.

Na primeira adega (Adega da Mata), onde está guardada uma pequena parte da produção do vinho Periquita, cerca de 800.000 litros estão divididos entre 36 tóneis de madeira de mogno (vinda do Brasil e África) e 120 barris de carvalho Francês e Americano. Os tóneis de diferentes capacidades (~20.000 litros) foram todos construídos aqui dentro deste local há 80 anos, à mão, numa madeira resistente e neutra uma vez que não deixa qualquer sabor no vinho. Antes de ser engarrafado, o vinho fica aqui pelo menos 6 meses, sendo utilizada a mistura de 80% vinda dos tóneis com 20% vinda dos barris.
No vinho Periquita são utilizadas três castas diferentes de uvas: o castelão (antigamente, denominada como "Periquita", daí o nome), a trincadeira e o aragonez. Existem vários tipos de vinho Periquita: tinto, branco, rosé e tinto reserva (fica pelo menos oito meses e meio somente em barris de carvalho e as castas são diferentes, pois além da casta castelão leva também as castas: touriga nacional e touriga franca) e Periquita superior (o topo de gama, que leva só a casta castelão).

A outra adega designada como "Teares Velhos" era uma antiga fábrica de têxteis utilizada para fazer o fardamento das tropas Portuguesas e Inglesas durante as invasões Francesas e uma antiga propriedade dos Duques de Aveiro (data de 1750) que em 1820 foi comprada por José Maria da Fonseca, para ampliar as suas instalações.

Aí funciona, actualmente, a adega de vinho moscatel, bem mais escura do que a primeira.  Estão, ali, distribuidos pelos vários e enormes barris, cerca de 400.000 litros de moscatel, com mais de 20 anos.
Os cantos gregorianos invadem o local, uma vez que havia aqui perto um convento (S. Domingos), embora estes não tenham qualquer influência no vinho, propriamente dita.


Barris da adega do vinho Moscatel


Este tipo de vinho é mais doce e fortificado, tal como o vinho do Porto, devido à adição de aguardente vínica que interrompe a fermentação quando esta se inicia, sendo posteriormente colocado em barris de carvalho, onde previamente foi colocado o vinho Periquita durante 5 anos.

Existem vários tipos de moscatel: o novo (fica entre 3 a 5 anos no barril), o velho (fica pelo menos 20 anos no barril) o de Setúbal superior, (é proveniente de vinhos de anos de grande qualidade e que depois ficam armazenados de 30 a 60 anos, tornando-se assim mais escuro, espesso e doce) e o Setúbal roxo (neste é utilizado uma casta específica de uva roxa, mais doce e rara, só desta região e diferente da vulgar uva moscatel cuja coloração se situa entre o branco e o amarelado).

Também está presente no local um poderoso candeeiro com 50 anos que reflecte as iniciais de José Maria da Fonseca, no chão, e uma reserva exclusiva da família cuja entrada está impossibilitada, pois nem a nossa guia tinha as chaves. Conseguimos tirar apenas uma foto a partir de uma pequena abertura da porta daquele cenário fantasmagórico e com valor incalculável, pois contém vinho moscatel de reserva com mais de 100 anos e 80 vintages de vinho moscatel, desde 1900, numa colecção única.


Colecção rara de vinho moscatel

Depois no final fizemos as provas de dois vinhos: o "Periquita reserva de 2008" (que eu não apreciei especialmente),  utilizado no acompanhamento de queijos e carnes e o "Moscatel Alambra de 2007" (delicioso), utilizado à temperatura ambiente para sobremesas ou como fresco para aperitivo. O custo é de 3€ por pessoa pela visita e inclui a degustação de dois vinhos no final (um branco ou tinto e o outro moscatel).

Por fim, provamos as boas e famosas tortas de Azeitão depois de tirarmos algumas fotografias da vila.

Tortas de Azeitão

domingo, 13 de novembro de 2011

Outubro, o mês dos miminhos!

Ah, como adoro um bom spa e uma boa massagem! No primeiro fim de semana do mês de Outubro dei-me ao luxo de ir fazer uma exfoliação corporal seguida de uma massagem com um delicioso cheirinho a baunilha, no SPA do hotel "The Lake" em Vilamoura.
Tendo chegado uma hora antes da exfoliação, dei umas boas braçadas na piscina interior, bem quentinha e massajante (existem lá uns botões que depois de ligados lançam jactos de água direccionados para as pernas e costas), na pequena piscina do mar morto (com alta concentração de sal), no jacuzzi e no banho romano (menos húmido que o banho turco e menos seco que a sauna). Depois da exfoliação e massagem finalizei o ritual com um chá de menta,  ao som de uma música bem relaxante, numa das espreguiçadeira disponíveis com vista para a piscina exterior do hotel, qual cenário nas Caraíbas!

Depois do almoço fui visitar o museu rural da Quinta dos Avós (gratuito e só aberto aos sábado à tarde) que reune uma pequena colecção de veículos de tracção animal (carros de mula, charrete, carro da água, carro dos cântaros, carro de capoeira, carreta, aranha) utilizados pelos algarvios, até ao aparecimento do automóvel. Outros objectos bem antigos, como alfaias agrícolas, arreios, pesos, gravuras e fotografias completam a colecção deste pequeno museu. No final da visita ainda fiz a degustação do doce de medronho (o sabor é bom mas é adstringente devido à polpa do próprio fruto).






Fomos ao cinema ver um filme hilariante: "Johnny English 2" onde demos algumas gargalhadas e assistimos a um musical de tango e dança: "La Porteña Tango", um belissimo espectáculo  dirigido e bailado por um grupo de artistas Argentinos.
E como não podia deixar de ser, fiz mais um aniversário e passei a fasquia dos 35. Foi bom estar com a familia reunida ao almoço e ao lanche onde fui mimada e acarinhada, por todos.

O último fim de semana do mês foi passado na região de Lisboa e margem sul.
No sábado, saímos cedo em direcção à margem sul, tendo como primeira paragem o monumento nacional: a Fortaleza de S. Filipe, em Setúbal. Conhecido, também, por Castelo de São Filipe foi construído como defesa durante o período Filipino, no século XVI. Esta soberba estrutura, onde também está localizada uma das bonitas pousadas históricas de Portugal, domina a entrada do Sado e tinha dupla função. Além de servir de defesa contra os ataques dos piratas do norte de África e França juntamente com os ataques dos Ingleses e Holandeses, que nos finais dos séculos XVI estavam em guerra contra Espanha, também servia, de defesa do rei Espanhol e seus apoiantes, na vigia da população local insatisfeita por Portugal estar sob domínio Espanhol.


Pormenores da fortaleza de S. Filipe e vista sob Setúbal


Continuando o percurso pela belissima Serra da Árrabida, vimos o convento do mesmo nome, construído no século XVI. Abrangendo 25 hectares de terra, é composto pelo convento velho, o convento novo, o jardim e o santuário do bom Jesus. Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, foi abandonado e pilhado, tendo sido vendido e restaurado posteriormente, no século XX, e depois vendido à Fundação Oriente que o gere, actualmente. As visitas só podem ser feitas por marcação prévia e também podem ser alugadas as suas instalações para colóquios, palestras e até como quartos de hotel. As vistas são deslumbrantes.


Vistas do convento da Árrabida e da sua paisagem envolvente


E depois do almoço em Sesimbra composto por uma boa feijoada de choco num restaurante bem simples mas com comida saborosa, fomos admirar o bonito Castelo de Sesimbra. Sesimbra é uma vila que se desenvolveu na época dos Descobrimentos, tendo sido um importante porto da construção naval e abastecimento das embarcações.


Vistas do castelo e da praia de Sesimbra


O Castelo de Sesimbra ou Castelo de Mouros está situado numa falésia a 240 metros acima do nível do mar, na península de Setúbal. A partir de uma fortificação enfraquecida, em 1165, D. Afonso Henriques (o primeiro rei Português) procedeu a restauros no local do actual castelo.


Pormenores do castelo e vistas sob Sesimbra


Actualmente, é possível ver a Torre da Atalaia (construído no reinado de D. Dinis para vigiar toda a costa marítima a sul), a cerca muralhada dos séculos XIII-XIV para proteger a povoação, a alcaçova (residência do alcaide e sua familia, representante da ordem militar de Santiago), a Torre de Menagem (torre mais alta para vigiar o acesso à vila e comunicar com os outros castelos) e a simples mas bonita Igreja Nossa Senhora do Castelo, de estilo românico-gótico, erguida em 1160 e fortemente restaurada em 1721.


Igreja nossa Srª do Castelo


Rapidamente, fomos para Vila Nogueira de Azeitão onde fizemos uma visita (paga e pré-marcada) à casa museu José Maria da Fonseca (que ficará para um post posterior). A noite terminou a relembrar velhas histórias de adolescência com duas amigas, na casa de uma delas, na Moita após o jantar tipicamente British.

No dia seguinte, antes de visitarmos o Palácio Nacional da Ajuda e o Jardim Botânico anexo (que ficará, também, para um próximo post)  passamos pelo Mosteiro dos Jerónimos e tomamos o pequeno almoço em Belém, não sem antes nos depararmos com a bonita Igreja da Memória, onde está o túmulo do Marquês de Pombal.

Igreja da Memória


Acabamos a nossa viagem, depois do almoço, a passear junto à baía e à marina de Cascais antes de regressarmos ao Algarve.

Cascais é uma bonita vila, uma das mais populosas de Portugal, que se recusa a passar para cidade por motivos turísticos. As casas senhoriais (onde a antiga nobreza, nos finais do século XIX, passava a época de veraneio), o Farol de Santa Marta (com 20 metros de altura, além de auxiliar na navegação também funciona como museu), as muralhas do Forte da Nossa Senhora da Luz e os vários palacetes fazem parte desta vila que foi o primeiro local da instalação de electricidade em Portugal.


Fachadas dos vários edificios de Cascais


De salientar que a próxima viagem de férias já está próxima (e mesmo próxima), mas que eu não vou dizer qual é, por motivos supersticiosos, mas só vos posso dizer que estou a aprender (a tentar pelo menos) a "hablar castellano". Palpites???