quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O Dia D...

6 de Junho de 1944. O começo do fim do domínio nazi na Europa, com a invasão da França pelos Aliados. Conhecido na história mundial como o dia "mais longo" do século XX, o "grande dia" ou simplesmente  "dia D". Certo é que foi o dia que impediu Hitler de dominar o mundo, o primeiro dia da operação com o nome de código de Overlord que só terminou dois meses depois, a 22 de Agosto.



Desembarque das tropas Americanas em Omaha Beach
(Foto retirada da  internet: Wikipédia, autor: Robert Capa)

E depois de meses (senão anos) de planeamento, as primeiras horas desse dia seriam cruciais e decisivas: o desembarque teria de ser eficaz, caso contrário,  a derrota final da Alemanha poderia ainda levar, talvez, anos.

Ao contrário do que os nazis pensavam, o desembarque seria feito nas praias da região da normandia e não em Pas-de-Calais, o ponto mais estreito entre França e Inglaterra (o efeito supresa foi uma das razões para o fracasso da Alemanha).





Foi, de facto, a maior invasão marítima, anfíbia e aérea, jamais vista, com milhares de soldados provenientes da América, Grã-Bretanha e Canadá (as estimativas apontam os 3 milhões de pessoas envolvidas na operação).


Ao longo de 80 km da costa, as praias da normandia seriam invadidas por uma extraordinária frota de 5000 navios, de todos os tipos. Com os nomes de código: Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword, estas praias foram conquistadas a muito custo, em particular Omaha (e da qual resultaria a morte de mais de 3000 Americanos).
Antes de chegarem à terra, os soldados tinham ainda de enfrentar o vento e a forte ondulação (não é de admirar os vários afogamentos) antes de enfrentarem as minas, o arame farpado, os tiros dos canhões, os obstáculos porta espinhos e os tiros das metralhadoras...dos Alemães.








Também um exército secreto de pessoas residentes na França, a chamada "Resistência Francesa", ocupadas pelos seus disfarçados afazeres lutavam em silêncio e aguardavam ansiosamente por este dia. Afinal, a França estava a ser ocupada desde 1940!
Depois de ouvirem as mensagens de códigos, via rádio, transmitida pela BBC, cada uma dessas pessoas estava encarregue das mais diversas tarefas, tais como a sabotagem das estradas, dos caminhos de ferro, do material ferroviário, a destruição das linhas telefónicas e das eléctricas.

Sainte-Mère-Église, uma pequena e pacata cidade, também seria uma de muitas a fazer parte do cenário de guerra, incluindo ser pista de aterragem para milhares de paraquedistas.



Adro da igreja de Sainte-Mère-Église

Igreja

Um destes, o soldado John Steele do 505º regimento da 82ª Divisão Americana em vez de ter caido numa zona balizada, depois de ser atingido com uma bala no pé, foi cair justamente no pontiagudo campanário da igreja. Para sobreviver teve de se fingir morto durante mais de duas horas, a metros das metralhadoras dos inimigos nazis (e com os sinos a repique)!


Representação do paraquedista caído no campanário


6 de Junho de 2012. Percorremos todos esses locais (coincidência ou talvez não) e pareciamos que estavamos a recuar no tempo, algumas décadas atrás, pois na realidade os Franceses fizeram uma recriação do dia D, uma celebração da vitória e da libertação da França, nesse dia.

Assim, vimos vários acampamentos militares à beira da estrada...





...memoriais dedicados às vítimas (militares ou cívis) ou aos heróis da guerra...




....os transportes terrestres utilizados (e a desfilarem nas ruas)...







 Depois de visitarmos o interior da igreja de Sainte-Mère-Église com os seus bonitos vitrais...





Vitral da igreja


...fomos passear até à Utah Beach (onde havia muito vento para variar)...





...e depois Colleville-Sur-Mer, onde visitamos o enorme cemitério Americano com mais de 9000 campas (as campas com estrela são de combatentes judeus) mas com uma vista magnífica para a praia.







O local é mesmo impressionante e não deixa ninguém indiferente. A tristeza e o respeito tomaram conta de nós, apesar do amplo espaço ser tão limpo, ordenado e silencioso.






E, sem tempo a perder, fomos então para Rouen!


domingo, 19 de agosto de 2012

No icónico Mont Saint-Michel

Uma das poucas bugigangas que trago sempre das viagens, desde há alguns anos atrás, são ímans que coloco na porta do frigorífico (e que me fazem dar um grande sorriso, logo de manhã). Quando há dois anos atrás, a minha melhor amiga me trouxe um do Mont Saint Michel soube imediatamente que seria um local que queria conhecer, quando estivesse em terras de França.




Longe das multidões turísticas atuais, o Mont Saint Michel não passava de um rochedo ladeado de água até ao século VIII, altura em que Aubert, bispo de Avranches mandou edificar nesse local um santuário em honra do arcanjo S. Michel (ou S. Miguel em Português, referenciado no Novo Testamento como combatente e vencedor na luta contra um dragão, símbolo do demónio). O local tornou-se de grande importância e peregrinação, sendo um dos mais visitados em França, com mais de três milhões de visitantes por ano.





No século X, a ordem religiosa dos beneditinos instalou-se na abadia e foi desenvolvida uma pequena aldeia, que se estendeu na base do rochedo granítico, durante os quatro séculos seguintes.







Exemplo de arquitetura militar admirável e praça forte impenetrável durante a guerra dos 100 anos, as suas muralhas e fortificações resistiram a todos os assaltos ingleses o que fez com que se tornasse num lugar simbólico nacionalista.


Desde 1979, está inscrito na lista do património mundial da UNESCO. As recentes obras de restauração e consolidação (desde 2006), tal como a construção de uma barragem, na zona, permitiram salvar o local.





Com efeito, depois de termos estacionado o carro no amplo parque de estacionamento (a um preço proibitivo) fomos de autocarro (existem gratuitos e outros que são pagos) até perto do local (conforme se pode ver na segunda foto).


Deambulamos pela zona fortemente turística, com uma infinidade de restaurantes e lojas de souvenirs.





A confusão era mais que muita, pois as ruas estreitas estavam apinhadas de pessoas e era preciso ter cuidado com o declive acentuado, no caminho até ao cimo: a abadia.








Esta está instalada na base do rochedo, a 80 metros acima do nível do mar e no topo da mesma existe uma estátua do arcanjo. Ao pé da nave, existem os claustros que fazem a ligação entre os vários edifícios, tais como o refeitório, a sala de hóspedes (onde se recebiam os reis e nobres), a cripta, o dormitório e as várias escadarias.




Claustro


Uma enorme roda está bem visível e data de 1820, cuja função era subir os alimentos dos presos, quando a abadia foi convertida em prisão, na época.




Apesar da dissolução das comunidades religiosas na época da revolução Francesa, continuaram os restauros no Mont Saint Michel, para que o esplendor da abadia continuasse, que na idade média era vista como a representação de Jerusalém sobre a terra e a imagem do paraíso. A vista é soberba. Os espaços ajardinados e a arquitetura dos edifícios também! E realmente todo o monumento é verdadeiramente único na sua concepção, propriamente dita.


Jardim


Igreja


E depois na viagem de regresso ainda tivemos direito a uma fenomenal molha antes do almoço!

No próximo post...o momento mais triste (sim, porque a vida é feita de momentos tristes e alegres) de toda a nossa viagem na França. Não perca!


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Estoi aqui!

Interrompendo a programação das férias na França (mas que vão continuar nos próximos posts) para... as actividades do mês de Julho.

No primeiro sábado do mês, num dia com um céu maravilhosamente azul, começamos por um belo passeio em Estoi, uma freguesia do concelho de Faro. Mas, afinal o que existe nesta localidade?

Em Estói (ou Estoi, de acordo com a alteração do nome, aprovada em Assembleia da República, em 2004) pode-se encontrar um valioso património histórico-cultural: o casario com as suas bonitas fachadas rendilhadas, a cuidada igreja matriz, as interessantes ruínas romanas de Milreu e um lindíssimo palácio, desconhecido de muitos.





A igreja matriz, também conhecida como igreja de São Martinho de Estoi, foi formada a partir de uma antiga ermida de origem medieval do século XVI.




As ruínas de Milreu situam-se a 1 km da freguesia, uma das villas romanas, que prosperou com o desenvolvimento de Ossonoba (atual Faro), um importante centro económico devido à possível existência de um cais marítimo que permitia o comércio de derivados de pescado como o garum, um molho de peixe muito apreciado na altura, assim como no valioso comércio de azeite e vinho.





Cópia do busto de Agripina
Declarado monumento nacional em 1932, tem sido alvo de várias escavações arqueológicas e desde 1997, projeto de investigação em cooperação com algumas universidades da Europa.
Pelos achados arqueológicos descobertos, o local fora outrora povoado no final da idade do bronze e início da idade do ferro mas as primeiras construções romanas datam do século I d.C.
Pelos bustos (imperatriz Agripina e imperadores Adriano e Galieno) encontrados  no local como elementos decorativos deduzem-se que os proprietários da villa tivessem uma elevada posição social. A cópia dos mesmos pode admirada no centro interpretativo no final da visita.





Os mosaicos de muito boa qualidade estão presentes nas construções dos edifícios da villa, excecionalmente completos.











Podem ser vistos os vários compartimentos, tais como o peristilum: pátio aberto sustentado por colunas, com espaços ajardinados e aquáticos, o triclinium (sala de jantar), os quartos de dormir, as salas de estar e as termas (onde existem os belos mosaicos com peixes), no lado residencial.





Junto ao lado residencial, ficam as instalações agrícolas onde podem ser vistas o lagar de azeite e a adega, onde não só era produzido o vinho como também o mosto temperado com rosmaninho, associado a propriedades “curativas”.

Pode ser ainda apreciado o templo, um edifício religioso romano com os restos da abóbada da galeria exterior. Os seus muros de tijolo maciço são impressionantes e atraem a vista quando se entra (outros mosaicos representativos de peixes e golfinhos estão próximos).








Existe ainda um edifício construído, sobre as ruínas de Milreu, com origem numa casa rural da idade média, construída em várias etapas desde a época medieval até ao século XIX.




No seu interior, uma exposição de esculturas de Sara Navarro (que esteve patente até 22 de Julho) espalhadas pelas várias divisões da casa rural.




O preço do bilhete da entrada (nas ruínas de Milreu)  é de 2€ (adulto) mas gratuito aos domingos de manhã.

Depois...com um pouco de receio, entrei dentro do palácio por pensar que se tratava de propriedade privada. Na realidade, trata-se de uma pousada de Portugal (só possível para os clientes do mesmo) num lado mas noutro é propriedade do estado Português, com entrada livre. Foi tornado imóvel de interesse público desde 1977.




O palácio de Estoi é de puro estilo rococó. Este, ideia de um nobre no século XIX só chegou a ser concluído em 1909 por outro nobre, tornado posteriormente visconde de Estoi, que não poupou esforços para finalizar o palácio. Após a sua morte, foi mantida na mesma família até 1987, altura em que foi comprada pela Câmara Municipal de Faro que depois de restaurada foi convertida em pousada histórica de Portugal.




 É composto pelo edifício principal com os seus adornados e lindíssimos salões de chá em pastel e estuque, próximo da zona de restauração.






Os fantásticos jardins geométricos com árvores de fruto, as fontes, as várias estátuas com os seus bustos esculpidos em mármore, os azulejos e vitrais coloridos tornam o palácio, sem dúvida, único na região.









A viagem continuou então para perto de Cachopo, com o almoço de um belo prato de javali, bem económico, no restaurante da Ti Rosa ...numa região que seguramente já não está assim, uma vez que cerca de 80% da área rural de Tavira ardeu posteriormente, no mês de Julho.





Após um belo passeio em Tavira, onde aproveitamos para fazer algumas caches fomos tomar uns belos banhos de mar na praia do Barril antes do jantar de petiscos marinhos (polvo, camarão cozido da costa, conquilhas), em Santa Luzia.




Entre as restantes actividades do mês destaco algumas idas às praias da zona de Ferragudo, alguns passeios em Alvor e na Lagoa dos Salgados (Pêra) onde fizemos umas caches e um pezinho de dança de rock 'n roll, na mostra da doçaria conventual em Lagoa, ao som dos Lucky Duckies.