domingo, 19 de agosto de 2012

No icónico Mont Saint-Michel

Uma das poucas bugigangas que trago sempre das viagens, desde há alguns anos atrás, são ímans que coloco na porta do frigorífico (e que me fazem dar um grande sorriso, logo de manhã). Quando há dois anos atrás, a minha melhor amiga me trouxe um do Mont Saint Michel soube imediatamente que seria um local que queria conhecer, quando estivesse em terras de França.




Longe das multidões turísticas atuais, o Mont Saint Michel não passava de um rochedo ladeado de água até ao século VIII, altura em que Aubert, bispo de Avranches mandou edificar nesse local um santuário em honra do arcanjo S. Michel (ou S. Miguel em Português, referenciado no Novo Testamento como combatente e vencedor na luta contra um dragão, símbolo do demónio). O local tornou-se de grande importância e peregrinação, sendo um dos mais visitados em França, com mais de três milhões de visitantes por ano.





No século X, a ordem religiosa dos beneditinos instalou-se na abadia e foi desenvolvida uma pequena aldeia, que se estendeu na base do rochedo granítico, durante os quatro séculos seguintes.







Exemplo de arquitetura militar admirável e praça forte impenetrável durante a guerra dos 100 anos, as suas muralhas e fortificações resistiram a todos os assaltos ingleses o que fez com que se tornasse num lugar simbólico nacionalista.


Desde 1979, está inscrito na lista do património mundial da UNESCO. As recentes obras de restauração e consolidação (desde 2006), tal como a construção de uma barragem, na zona, permitiram salvar o local.





Com efeito, depois de termos estacionado o carro no amplo parque de estacionamento (a um preço proibitivo) fomos de autocarro (existem gratuitos e outros que são pagos) até perto do local (conforme se pode ver na segunda foto).


Deambulamos pela zona fortemente turística, com uma infinidade de restaurantes e lojas de souvenirs.





A confusão era mais que muita, pois as ruas estreitas estavam apinhadas de pessoas e era preciso ter cuidado com o declive acentuado, no caminho até ao cimo: a abadia.








Esta está instalada na base do rochedo, a 80 metros acima do nível do mar e no topo da mesma existe uma estátua do arcanjo. Ao pé da nave, existem os claustros que fazem a ligação entre os vários edifícios, tais como o refeitório, a sala de hóspedes (onde se recebiam os reis e nobres), a cripta, o dormitório e as várias escadarias.




Claustro


Uma enorme roda está bem visível e data de 1820, cuja função era subir os alimentos dos presos, quando a abadia foi convertida em prisão, na época.




Apesar da dissolução das comunidades religiosas na época da revolução Francesa, continuaram os restauros no Mont Saint Michel, para que o esplendor da abadia continuasse, que na idade média era vista como a representação de Jerusalém sobre a terra e a imagem do paraíso. A vista é soberba. Os espaços ajardinados e a arquitetura dos edifícios também! E realmente todo o monumento é verdadeiramente único na sua concepção, propriamente dita.


Jardim


Igreja


E depois na viagem de regresso ainda tivemos direito a uma fenomenal molha antes do almoço!

No próximo post...o momento mais triste (sim, porque a vida é feita de momentos tristes e alegres) de toda a nossa viagem na França. Não perca!


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Estoi aqui!

Interrompendo a programação das férias na França (mas que vão continuar nos próximos posts) para... as actividades do mês de Julho.

No primeiro sábado do mês, num dia com um céu maravilhosamente azul, começamos por um belo passeio em Estoi, uma freguesia do concelho de Faro. Mas, afinal o que existe nesta localidade?

Em Estói (ou Estoi, de acordo com a alteração do nome, aprovada em Assembleia da República, em 2004) pode-se encontrar um valioso património histórico-cultural: o casario com as suas bonitas fachadas rendilhadas, a cuidada igreja matriz, as interessantes ruínas romanas de Milreu e um lindíssimo palácio, desconhecido de muitos.





A igreja matriz, também conhecida como igreja de São Martinho de Estoi, foi formada a partir de uma antiga ermida de origem medieval do século XVI.




As ruínas de Milreu situam-se a 1 km da freguesia, uma das villas romanas, que prosperou com o desenvolvimento de Ossonoba (atual Faro), um importante centro económico devido à possível existência de um cais marítimo que permitia o comércio de derivados de pescado como o garum, um molho de peixe muito apreciado na altura, assim como no valioso comércio de azeite e vinho.





Cópia do busto de Agripina
Declarado monumento nacional em 1932, tem sido alvo de várias escavações arqueológicas e desde 1997, projeto de investigação em cooperação com algumas universidades da Europa.
Pelos achados arqueológicos descobertos, o local fora outrora povoado no final da idade do bronze e início da idade do ferro mas as primeiras construções romanas datam do século I d.C.
Pelos bustos (imperatriz Agripina e imperadores Adriano e Galieno) encontrados  no local como elementos decorativos deduzem-se que os proprietários da villa tivessem uma elevada posição social. A cópia dos mesmos pode admirada no centro interpretativo no final da visita.





Os mosaicos de muito boa qualidade estão presentes nas construções dos edifícios da villa, excecionalmente completos.











Podem ser vistos os vários compartimentos, tais como o peristilum: pátio aberto sustentado por colunas, com espaços ajardinados e aquáticos, o triclinium (sala de jantar), os quartos de dormir, as salas de estar e as termas (onde existem os belos mosaicos com peixes), no lado residencial.





Junto ao lado residencial, ficam as instalações agrícolas onde podem ser vistas o lagar de azeite e a adega, onde não só era produzido o vinho como também o mosto temperado com rosmaninho, associado a propriedades “curativas”.

Pode ser ainda apreciado o templo, um edifício religioso romano com os restos da abóbada da galeria exterior. Os seus muros de tijolo maciço são impressionantes e atraem a vista quando se entra (outros mosaicos representativos de peixes e golfinhos estão próximos).








Existe ainda um edifício construído, sobre as ruínas de Milreu, com origem numa casa rural da idade média, construída em várias etapas desde a época medieval até ao século XIX.




No seu interior, uma exposição de esculturas de Sara Navarro (que esteve patente até 22 de Julho) espalhadas pelas várias divisões da casa rural.




O preço do bilhete da entrada (nas ruínas de Milreu)  é de 2€ (adulto) mas gratuito aos domingos de manhã.

Depois...com um pouco de receio, entrei dentro do palácio por pensar que se tratava de propriedade privada. Na realidade, trata-se de uma pousada de Portugal (só possível para os clientes do mesmo) num lado mas noutro é propriedade do estado Português, com entrada livre. Foi tornado imóvel de interesse público desde 1977.




O palácio de Estoi é de puro estilo rococó. Este, ideia de um nobre no século XIX só chegou a ser concluído em 1909 por outro nobre, tornado posteriormente visconde de Estoi, que não poupou esforços para finalizar o palácio. Após a sua morte, foi mantida na mesma família até 1987, altura em que foi comprada pela Câmara Municipal de Faro que depois de restaurada foi convertida em pousada histórica de Portugal.




 É composto pelo edifício principal com os seus adornados e lindíssimos salões de chá em pastel e estuque, próximo da zona de restauração.






Os fantásticos jardins geométricos com árvores de fruto, as fontes, as várias estátuas com os seus bustos esculpidos em mármore, os azulejos e vitrais coloridos tornam o palácio, sem dúvida, único na região.









A viagem continuou então para perto de Cachopo, com o almoço de um belo prato de javali, bem económico, no restaurante da Ti Rosa ...numa região que seguramente já não está assim, uma vez que cerca de 80% da área rural de Tavira ardeu posteriormente, no mês de Julho.





Após um belo passeio em Tavira, onde aproveitamos para fazer algumas caches fomos tomar uns belos banhos de mar na praia do Barril antes do jantar de petiscos marinhos (polvo, camarão cozido da costa, conquilhas), em Santa Luzia.




Entre as restantes actividades do mês destaco algumas idas às praias da zona de Ferragudo, alguns passeios em Alvor e na Lagoa dos Salgados (Pêra) onde fizemos umas caches e um pezinho de dança de rock 'n roll, na mostra da doçaria conventual em Lagoa, ao som dos Lucky Duckies.







sexta-feira, 27 de julho de 2012

Na cidade fortificada de Saint-Malo

Quarto dia de viagem na França. Com uma bela vista sobre o Oceano Atlântico, na costa oeste da França vimos a praia de La Baule, a famosa estância balnear da côte d'amour, uma praia de 7 km de extensão situada na baía de Poliguen, sensivelmente a 80 km de Nantes e a bonita mairie (prefeitura/câmara municipal) de La Baule Escoublac.






Sem tempo a perder (e pouca sorte com o clima) levamos duas horas e meia para fazermos os 200 km que nos separavam de Saint Malo, uma cidade histórica situada na costa norte francesa e rodeada pelo canal da Mancha. Estavamos na Bretanha!







Confesso que Saint Malo não fazia parte do plano original das nossas férias, contudo, quando estava a efetuar a pesquisa dos hotéis pelo site da Booking eis que me apareceu um hotel com excelente pontuação a um preço modesto. Não resisti e foi logo o primeiro alojamento a ser reservado, para esta viagem. Recomendo vivamente: Villa Esprit de Famille. As instalações são óptimas, o acolhimento muito bom e o pequeno almoço soberbo (os doces e geleias são deliciosos e as madalenas caseiras arrebatadoras)!
E não me arrependi: a cidade é linda! Apesar do mau tempo, Saint Malo  é constituída por impressionantes muralhas que rodeiam toda a cidade velha, apresenta um porto marítimo bem bonito, as habitações cuidadosamente cuidadas e as ruas limpas, tão limpas, que até haviam limpadores de algas durante a maré baixa às fortificações que protegem a cidade das intempéries (e, bem fortes, por sinal). Além disso, nunca tinha visto uma amplitude de marés tão grande!

Vista parcial da cidade pelas muralhas


Após o almoço, fomos dar uma volta até à cidade velha onde vimos os bonitos edificios de arquitetura peculiar, pelo caminho...








...os desportos radicais....




...Le Fort National, um monumento histórico do século XVII, do arquiteto militar Vauban, cuja função era proteger o porto. Só acessível durante a época baixa, a entrada dentro do forte só pode ser feita nesse período e em algumas épocas do ano (e a bandeira francesa hasteada)!








No centro da cidade, edificios recentes como o Palais des Congrés estão juntos ao cais (onde estavam alguns barcos ancorados), aos bonitos jardins floridos e às fortificações da cidade velha (também designada como La ville intra-muros).








Na cidade velha, tentamos esquivar-nos da chuva ao entrarmos em algumas lojinhas apetitosas de chocolates e docinhos da região (como a patates de St. Malo, um delicioso bolo feito de massa de amêndoa, com café e kirsch), azeite e conservas.

E aí deambulamos entre a catedral de St. Vincent (onde está sepultado Jacques Cartier, natural de St. Malo ficou conhecido pelas suas três viagens ao Canadá em busca de ouro; razão pela qual se fala Francês no lado leste desse país), pelo castelo, pelas muralhas, entre os espaços ajardinados, pelas pequenas igrejas e capelas (como a Chapelle Saint-Aaron do século XVII), praças, esculturas e monumentos dedicados às vitimas das duas guerras mundiais, nas quais a França esteve envolvida.









No final do dia, ainda aproveitamos para fazermos as nossas primeiras duas caches em terras francesas, antes do jantarzinho regado a cidra. Mas o que realmente foi espantoso foi ver o quanto a maré tinha subido, em apenas algumas horas (o local embora não seja o mesmo acho que dá para ter uma ideia em relação ao paredão e aos toros)!