terça-feira, 17 de julho de 2012

Cheverny, no château do Tintin

Já alguma vez estiveram numa mansão de um desenho animado? Pois...desta vez estivemos em Cheverny, no célebre château de Tintin (na realidade inspirou Hergé, na criação do château de Moulinsart, baseado no verdadeiro château sem os pavilhões exteriores).

Situado no vale do Loire, foi uma das primeiras residências privadas abertas ao público, em 1922. De facto, o palácio continua privado e pertence à mesma família (os Hurault) há mais de seis séculos, que inclusivamente até estiveram ao serviço dos reis da França. Os atuais proprietários, descendentes dos Hurault, vivem na ala direita do palácio.





O château, embora pequeno quando comparado com os dois (posts) anteriores possui uma grande riqueza interior, especialmente na sua sumptuosa decoração que até lhe valeu a designação de "palácio encantado".

Apesarem de existirem poucos vestígios da fortaleza primitiva edificada no século XV, só no século XVII, o conde Hurault e sua esposa mandaram construir um novo palácio. Este levou tanto tempo a ser construído que só a filha do casal é que conseguiu concluir a sua rica decoração interior.




Para edificar o castelo, o mesmo arquiteto que também trabalhou em Chambord utilizou uma pedra macia do rio Cher, mais sólida e com as propriedades de endurecer e branquear com o tempo ("pedras de Bourré").





O novo jardim dos Aprendizes (desde 2006) anexo ao château ocupa o lugar de um antigo jardim à francesa, das quais ainda existem os planos originais, dotado de grande beleza.





Quando se entra no interior do palácio, o primeiro aposento que se vê é a sala de jantar. Nas suas  paredes existem 34 painéis de madeira pintados com a história de Dom Quixote, muito em voga no século XVII. O mobiliário é de carvalho maciço do século XIX.





Na escadaria de honra existem motivos e temas esculpidos e a forte presença da influência italiana (existem escadas direitas seguidas de um patamar ao invés de escadaria em caracol ou espiral).





O brasão dos Hurault também aqui foi esculpido (embora aqui sem cor, trata-se de uma cruz azul anil e sóis de um vermelho intenso que se encontram pintados nos tetos e paredes de alguns aposentos).




No alto da escadaria, à direita existem os aposentos privados (que de privados não tem nada) com o quarto dos nascimentos onde as mães apresentavam os filhos recém-nascidos...





....um quarto de criança com os primeiros modelos de cavalo de madeira....





...o quarto nupcial onde está o vestido de noiva da Marquesa de Vibraye (atual proprietária que casou em 1994)....




...a sala de jantar e a cozinha.







A sala de armas é o maior aposento do castelo e apresenta uma vasta coleção de armas e tapeçarias.










O quarto do rei era reservado ao rei (chegou a ser ocupada por Henrique IV quando esteve de passagem pelo antigo castelo) e aos hóspedes mais ilustres. Com reproduções de lindas pinturas no teto, com cenas da mitologia grega, tem uma coleção única de tapeçarias nas paredes, do século XVII.








No grande salão, sem dúvida um dos aposentos mais bonitos, o teto foi restaurado no século XIX e existem várias poltronas e sofá originais assim como um conjunto de telas de ilustres personalidades.







Depois desta divisão, segue-se a galeria onde estão vários retratos de familia pintados por Clouet, pintor famoso a serviço do rei Francisco I e outras telas de pintores famosos como Rigaud (favorito do rei Luís XIV).


Centro: rei Luís XVI (vestido para a consagração)


No salão de retratos podem-se ver (como o próprio nome o indica) uma sucessão de retratos da família.







A biblioteca alberga 2000 livros com coleções completas e mobiliário antigo do fornecedor do imperador de Napoleão I.





Junto à entrada do château de Cheverny existe o museu de Tintin para os mais pequenos e até um castelo para venda (hahaha)?!

"Château a vendre"


Sem dúvida, um château pequeno em tamanho mas com um grandioso interior!


segunda-feira, 9 de julho de 2012

No colossal "château" de Chambord!

Quem diria que um retiro de caça se pudesse tornar no maior castelo de todos e de todos os exageros!

Senão vejamos: 156 metros de comprimento, 56 metros de altura, 77 escadas, 282 chaminés e 426 divisões constituem Chambord e tornam-no no maior castelo existente no vale do Loire!



segunda-feira, 2 de julho de 2012

Chenonceau, o castelo das damas




Instalados confortavelmente para visitar o primeiro castelo? Sim? Então vamos já para o château de Chenonceau, um dos castelos (a meu ver estes tratam-se mais de palácios do que castelos) mais magníficos e excecionais, que vi até hoje.




Dotado de uma arquitetura única no mundo, Chenonceau é conhecido também como o castelo das damas, uma vez que foram várias mulheres (duas delas rainhas) que administraram e ampliaram, sobre o rio Cher, esta linda e monumental propriedade.




Junto às margens do rio, existia um pequeno castelo e moinho fortificado (do século XIII), que depois de demolido foi aí construído o atual, no século XVI, por Thomas Bohier e sua esposa Katherine Briçonnet, conservando apenas (este) o torreão original.





Por falta de dinheiro, a propriedade passou para o rei Henrique II que o ofereceu à sua amante Diane de Poitiers, que não só o aumentou como construiu uma ponte sobre os arcos ligando assim a mansão à outra margem.




Neste quarto, da favorita do rei, existem duas bonitas tapeçarias da Flandres do século XVI.




Em 1559, com a morte do rei, a rainha Catherine de Medici "expulsou" (na realidade pediu e deu-lhe outra mansão: Chaumont Sur Loire na troca daquela) a ex-amante mas deu continuidade à obra, com a construção de uma imensa galeria com 60 metros de comprimento, onde deu sumptuosos banquetes, assim como no aumento dos lindos jardins.




Retrato de Catarina de Médicis
Catarina de Médicis instalou a sua mesa de trabalho numa pequena biblioteca. O seu teto de 1525 éde estilo italiano, feito de madeira de carvalho e contém pequenos pendentes.


Nesse espaço existem alguns quadros como este.


"Sagrada Família", de Andrea del Sarto

A galeria é iluminada por 18 janelas e nas suas extremidades duas lareiras renascentistas.





Neste quarto, o de Catarina de Médicis, existe uma rica mobília esculpida, numa cama de dossel com retratos de perfil, inspirados em medalhas da Antiguidade, uma das caraterística do Renascimento e um raro conjunto de tapeçarias do século XVI.



O teto é feito de cofres quadrados em madeira pintada e dourada, nas quais se podem ver várias iniciais, o brasão dos Médicis e as iniciais (C de Catarina e H de Henrique) entrelaçadas.




O quarto de Catarina de Médicis dá acesso a dois pequenos aposentos que fazem parte do gabinete de estampas, onde estão reunidas uma vasta coleção de desenhos e gravuras de Chenonceau de várias épocas (entre os séculos XVI-XIX).





Este quarto recorda a memória de duas filhas e três noras de Catarina: Margot, Isabel de França, Maria Stuart, Isabel de Áustria e Luísa de Lorena.


O quarto das cinco rainhas


Após a morte da rainha Catherine e do seu filho (Henrique III), esposo de Luísa de Lorena, em 1589, esta refugiou-se aqui e vestiu-se de branco, representativo do luto, segundo a etiqueta vigente da corte, na altura. Conhecida como "rainha branca" retirou-se para este castelo e ai viveu recolhida em meditação e oração. O seu negro quarto está ornamentado com símbolos de luto como penas e coroas de espinhos.





A próxima (e linda) sala recorda César de Bourbon, duque de Vendôme, filho do rei Henrique IV e Gabriela d'Estrées, que se tornou proprietário do château em 1624. A destacar um lindo teto de traves e várias tapeçarias de Bruxelas do século XVII.





Como lembrança da sua visita a Chenonceau em 1650, o rei Luís XIV ofereceu ao seu tio, o duque de Vendôme, este retrato seu, exposto no salão Luís XIV.








Na parede do salão Francisco I encontra-se esta magnífica pintura de Van Loo com três irmãs, damas de Chateauroux, que foram sucessivamente favoritas do rei Luís XV.






Depois o castelo entrou em período de decadência e abandono, até ao século XVIII, altura em que Louise Dupin, Iluminista, recebeu aqui ilustres personalidades dedicadas à escrita, poetas, cientistas e filósofos tais como Montesquieu, Voltaire ou Rousseau (no interior da mansão havia uma exposição sobre a vida deste último) e protegeu o castelo durante a revolução francesa. Por exemplo, teve a ideia de transformar em reserva de lenha a capela (na foto abaixo), escondendo assim o caráter religioso do local.

No século XIX, Marguerite Pelouze gastou uma fortuna no restauro do castelo mas este por sua vez foi posteriormente vendido duas vezes.

Na primeira guerra mundial, o castelo foi convertido em hospital  e muitos feridos foram aqui tratados por Simone Menier, enfermeira chefe. Na segunda guerra mundial, Chenonceau teve na mira dos inimigos, embora (e felizmente) tenha sofrido poucos estragos derivados dela.
Os vitrais da capela são todos do século XX, uma vez que os originais foram destruídos num bombardeamento em 1944.

A capela de Chenonceau

A cozinha está situada na parte superior dos dois primeiros pilares assentes no rio Cher. Ao passar de um pilar para o outro vê-se uma plataforma onde os barcos encostavam e traziam os mantimentos necessários para a casa.

Parte parcial da cozinha

Na primeira guerra mundial, esta habitação foi dotada de equipamento moderno para transformar o edificio em hospital.


Profundamente admirados com o château ficamos algum tempo a vê-lo, a passear nos jardins, a sentir o aroma dos imensos roseirais e a tirar fotos...muitas fotos, antes de seguirmos viagem para Amboise.


Parte frontal de Chenonceau