segunda-feira, 11 de abril de 2011

Grutas da Moeda

Existem 4 grandes grutas visitáveis na região centro do país. Uma delas: as grutas da moeda ficam apenas a 2 Km de Fátima, tendo este nome devido ao nome do lugar onde estão localizadas. Reza a lenda, que um homem muito rico, destas terras, ao passar em torno de um algar (caverna) foi assaltado. Ao tentarem tirar-lhe as moedas, com a confusão, estas caíram, dando ao local o nome pelo qual hoje é conhecido: Algar da Moeda.

Estas grutas estão abertas durante todo o ano e o preço é de 7€ (visita ao centro de interpretação + grutas).




O centro de interpretação científico-ambiental explica a formação das grutas, a importância do calcário e a extensa variedade de fósseis e minerais de vários países, incluindo Portugal!


Alguns exemplares da colecção de António Teixeira

Os minerais e rochas presentes no solo da região são:

- argila (matéria-prima para o fabrico de tijolos, telhas e peças de cerâmica);
- caulino (matéria-prima para a indústria de porcelana, cerâmica, tintas e papel);
- calcite (matéria-prima da indústria química, óptica e vidro, principal componente das rochas calcárias);
- lenhite (rocha do carvão, sendo esta zona a principal extractora de carvão de todo o país);
- azeviche (espécie de carvão vegetal fossilizado, utilizado em jóias (exemplo: jóias da coroa Portuguesa), acreditava-se que tivesse propriedades curativas ou mágicas).

Também, fizemos observações microscópicas de calcário e vimos as várias utilizações do calcário. Sendo este a rocha predominante da região é natural que tenha muitas aplicações, sendo utilizado directamente (calçadas, blocos, britas, monumentos, obras de arte ou grutas como se podem ver aqui) ou como matéria-prima na indústria (por exemplo: na refinação de açúcar, no tratamento de águas, no enriquecimento de alimentos ricos em cálcio e de rações animais, na correcção de solos sob a forma de carbonato de cálcio).

Depois vimos as grutas propriamente ditas. A extensão visitável é de 350 m e têm a profundidade máxima de 45 m. Tem uma temperatura constante de 18ºC, devido à sua constituição em argila.

As grutas apresentam um magnífico e natural mundo subterrâneo com 12 galerias (cada uma foi-lhe atribuido um nome próprio) formadas durante milhares de anos. A água infiltra-se livremente ao longo das camadas horizontais das rochas, calcárias, dissolvendo-a e formando galerias, fazendo assim lembrar um "santuário natural".

Designam-se por estalactictes  e estalagmites às formações rochosas crescendo para baixo em direcção ao chão ou que crescem a partir do chão em direcção ao tecto, respectivamente. Quando uma estalacticte se junta com uma estalagmite denomina-se por coluna. Naturalmente todo este processo de formação é muito lento. No caso das estalactictes o tempo de formação é de 1 cm em 100 anos e nas estalagmites 1 cm em 250 anos.

Estas grutas foram descobertas em 1971 por 2 caçadores que ao perseguir uma raposa encontraram estas grutas, acidentalmente. Depois foram eles que exploraram e abriram estas grutas, ao público, em 1974.





Provamos ainda o licor Abafado da Moeda acompanhado de pão de nozes e passas, gratuito e disponível na loja, do pequeno comércio local!


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Batalha

No fim-de-semana passado fomos passear na zona centro do país, em particular: Batalha, Alcobaça e Nazaré. Tivemos também a oportunidade de passear um pouco em Leiria e em Porto de Mós, visitar a Gruta da Moeda (uma das 4 grutas visitáveis na região), ir à aldeia da Pia do Urso e parar na praia de S. Martinho do Porto.

Batalha é uma simpática vila do distrito de Leiria com mais de 500 anos de história. Fundada por D. João I (1358-1433), a vila foi fundada juntamente com o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, também denominado por Mosteiro da Batalha, para agradecer o auxilio divino na vitória da batalha de Aljubarrota (1385). Em 1500 foi criada a vila de Batalha, como sede de concelho, por D. Manuel I (1469-1481).


Porta principal da igreja

Pormenor da porta principal


Na Batalha de Aljubarrota houve o confronto entre tropas Portuguesas e aliados Ingleses, comandados por D. João I e D. Nuno Álvares Pereira, contra o exército Castelhano e seus aliados, a sul da Batalha, donde resultou a derrota definitiva dos Castelhanos e a aclamação de João I como rei, o primeiro da dinastia de Avis. A paz com Castela foi estabelecida posteriormente e em 1411.


Estátua de D. Nuno Álvares Pereira

O Mosteiro da Batalha, de enorme grandiosidade, considerado desde 1983 património mundial da Unesco e uma das maravilhas de Portugal, começou a ser construído no século XIV,  prolongando-se até às primeiras duas décadas do século XVI, no reinado de D. Manuel I, no qual se fecharam as janelas das galerias do claustro e se retomaram as obras das capelas imperfeitas, com milhares de esculturas de grande beleza (embora as capelas nunca tenham sido terminadas, daí o seu nome).

O mosteiro é lindissimo e a nave central da igreja da Batalha é uma das maiores, com 32,5 m de altura, das igrejas Portuguesas. 

A capela do Fundador foi pensada por D. João I para servir de panteão ou mausoléu (local para guardar os restos mortais de alguém famoso e/ou notável).









O tecto parece um dossel por cima do túmulo de D. João I e D. Filipa de Lencastre, de grande beleza, tendo sido o primeiro túmulo conjugal feito em Portugal.

O claustro de D. João I é um dos claustros mais belos, dotado de grande harmonia e elegância.






A sala do Capítulo era um local representativo da vida monástica. Foi construído pelo 1º arquitecto do mosteiro: Afonso Domingues e concluido por Huguet, entre 1402 e 1438.
 A grande janela deste local apresenta um dos conjuntos mais bem conservados de vitrais, datado de 1514.




O Claustro Afonsino foi construído no reinado de D. Afonso V (1432-1481) e foi o primeiro claustro a ser erguido em dois andares, de grande simplicidade.



As capelas imperfeitas foram pensadas por D. Duarte (1391-1438), filho de D.João I, para servir de panteão e aqui se encontram os seus restos mortais assim como os da sua esposa: D. Leonor de Aragão. Contudo, a morte prematura do rei D. Duarte (devido à peste negra) e do próprio Huguet fez com que as capelas nunca fossem finalizadas. O balcão, única construção da época renascentista (1533) foi a última tentativa, do rei D. João III (1502-1557), na finalização destas capelas.

Túmulos do rei D. Duarte e D. Leonor
Balcão das capelas imperfeitas

Ficamos hospedados no Hotel Casa do Outeiro. Ficou mais barato reservar no próprio site do hotel do que no site da Booking (que é o site que eu mais gosto para reservar hotéis). Assim, um quarto duplo com um bom pequeno-almoço e com uma vista soberba (a melhor que vi onde fiquei até hoje) custou 51€ (uma noite).

Esta casa foi construída em 1980. Como havia muito pouca oferta hoteleira na região, os donos da casa tiveram a ideia de alugar dois quartos a turistas, em 1984. Em 1992 foi remodelada para 4 quartos, em 1996 para 8 quartos, tendo actualmente 15 quartos, todos com varanda. Para mais informações e fotos sobre o hotel consultar: http://www.casadoouteiro.com/

A vila é bastante pacata, uma vez que existem apenas algumas lojas de produtos regionais, restaurantes, uma igreja, um museu (inaugurado nesse dia) e habitações, tudo concentrado ao pé do mosteiro. O preço da entrada do mosteiro é de 6€, à excepção de Domingo de manhã que é gratuito!





O final do dia de sábado foi passado a compartilhar uma pizza e a beber um vinho rosé, deliciosamente leve, da região no Restaurante Pap'Oliva. E no outro dia acordar com esta vista do quarto foi simplesmente: MARAVILHOSO!!!






sexta-feira, 1 de abril de 2011

Praga (República Checa): 1ª viagem a dois, na Europa Central

Há 3 anos, em Abril,  fomos conhecer Praga! O meu marido (namorado na altura) queria conhecer uma capital/cidade da Europa. Mas haviam tantas e o tempo era curto, mas aproveitando um feriado que poderia ser o 25 de Abril ou o 1 de Maio teriamos assim 3 ou 4 dias para conhecer uma cidade europeia. A indecisão estava, agora, em que cidade? Assim estive a ler algum material sobre Praga, Viena, Budapeste, Paris e Barcelona...

A escolhida: Praga, a cidade das 100 cúpulas (embora, actualmente existam muitas mais), também conhecida como a Paris de Leste! Em Checo: Praha, capital e cidade da República Checa, está localizada entre colinas e  situada junto às margens do rio Vltava. Com muita vida cultural  é considerada o principal centro económico e industrial da República Checa!



Muito bela a nível arquitetónico, pois estilos como o romanesco, gótico, renascença, barroco, art nouveaux e cubista estão aqui presentes.



Praça da Cidade Velha

Igreja Nossa Srª Tyn (século XIV)

Exemplo de arquitectura art-nouveaux: a casa dançante (em homenagem a
Fred Astaire e Ginger Rogers)

Tem uma economia baseada essencialmente na indústria alimentar, em particular bebidas alcoolicas (a cerveja Pilsen, que dizem ser a melhor cerveja do mundo), têxtil e objectos de vidro (as exposições nas galerias destas peças são lindissimas).

 Praga, existente há mais de 1000 anos, sobreviveu a: guerras, pragas, comunismo e às várias revoluções, tendo sido umas das poucas cidades da Europa Central a não ser bombardeada durante a 2ª guerra mundial, mantendo assim os edificios originais. Apesar de só ter pouco mais de um milhão de habitantes é visitada anualmente por mais de 4 milhões.
Aqui também nasceram e viveram personalidades famosas. O mais famoso: Kafka (1883-1924), Judeu e um dos maiores escritores da língua Alemã do século XX.




O castelo de Praga, data do século IX, está situado na parte antiga assim como a Catedral de S. Vito, lindissima do século XIV. O castelo foi usado por Nazis e Comunistas e desde 1989 que é a residência oficial do Presidente. A arquitectura da Catedral de S. Vito é gótica tendo a sua construção levado 685 anos!!!



Depois de visitarmos o Museu do Sexo (imagens não editadas) vimos o render da guarda:




A ponte D. Carlos, medieval e em pedra maciça, é a principal atracção da cidade (tal como a Torre Eiffel em Paris, o Coliseu em Roma, o Big Ben em Londres, a Sagrada Familia em Barcelona) e está constantemente apinhada de gente. A sua construção iniciou no século XIV e só  terminou dois séculos depois. Composta por 30 estátuas barrocas é uma das melhores estruturas góticas actualmente.




Possui também várias sinagogas, símbolo dos muitos Judeus que habitaram e habitam esta cidade. Aqui no Bairro Judeu, uma comunidade Judaica esteve confinada durante 700 anos e separada por um muro até ao século XIX. Durante a ocupação Nazi, na 2ª Guerra Mundial, também, pretendiam fazer aqui um Museu sobre o povo Judaico e sua exterminação.


Sinagoga Espanhola (construida em1868, tem este nome devido
à sua decoração mourisca, semelhante ao Alhambra)

 O relógio astronómico Orloj, do século XV, atrai multidões e está situado junto à praça da cidade velha, uma das melhores da Europa Central.



Na praça da cidade nova ou Praça Venceslau juntaram-se mais de 250.000 pessoas, em 1989, para derrubar o comunismo, chamada Revolução de Veludo, e Praga virar capitalista!





Cenário de muitos filmes, comprovamos isso já que nos cortaram o acesso a uma das ruas, porque estavam lá a filmar. Tragédia, drama e romance estão presentes nas suas ruas.





Tudo começou na fortaleza de Vysehrad construida no século XI pelo 1º rei da Boémia. Um bom exemplar Romanesco é a rotunda de S. Martinho, o mais antigo completo da cidade. A lenda diz que as tribos Eslavas acamparam aí e fundaram Praha.

No fim do século XIX os nacionalistas fizeram dela o símbolo da Nação!




O Rio Vltava é o coração da cidade e usavam-no para trocas comerciais, uma vez que só havia uma ponte na cidade e a portagem era muito cara. Praha está dividida em duas partes: a cidade menor na margem esquerda e a cidade antiga na margem direita. Aqui se podem ver as riquissimas habitações das suas margens.

Um cruzeiro no rio é ideal para apreciar os vários locais e pode ser feito numa destas embarcações (que foi o que fizemos).




O prato típico deste país é o Goulash, tal como nos países do Império Austro-Hungaro, constituído por carne de vaca e de porco, acompanhado com uma espécie de puré. Embora a cerveja seja realmente boa, a nível gastronomico deixa muito a desejar.

Ficamos hospedados no, ótimo, hotel Elite que está situado numa área tranquila, junto ao centro histórico de Praga.




Ficou ainda muito para ver mas Praga é uma capital vibrante, cheia de vida, desconfiada mas sublime.


(Atualizado a 22 de Abril de 2014)