terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Mafra

No dia seguinte fomos visitar Mafra. Um convento, palácio, igreja, biblioteca, escola de infantaria...tudo reunido num só lugar.

Fachada do edificio (pode-se estacionar facilmente na frente do mesmo)

O convento de Mafra resulta de uma promessa feita por D. João V para obter descendência, após 8 anos de casamento com D. Maria Ana de Áustria, no século XVIII. Projectada e concebida em estilo barroco Italiano pelo Alemão Ludovici, a igreja apresenta a forma de cruz latina e a 1ª cúpula octogonal em Portugal.
Desenvolveu-se simetricamente a partir de um eixo central: a basílica.

Fachada da basílica

Entrada da basilica

Pormenor de uma torre

Construído em pedra lioz da região de Sintra e Pero Pinheiro, empregou muitos operários, tendo chegando a empregar cerca de 50000 num mesmo ano.


Tecto em pedra lioz

A ideia original era albergar treze frades Franciscanos num pequeno convento. Contudo, o abundante ouro obtido no Brasil deu para fazer uma  tal grandiosidade de monumento, que deu para albergar trezentos frades.

A primeira pedra do local foi colocada em 1717 por D. João V tendo sido apenas consagrada 13 anos mais tarde, no 41º aniversário do rei, dedicada a nossa Senhora e Stº António, numa festa que durou 8 dias inteiros.


Estátua de D. João V

Utilizado, apenas, pela familia Real como residência na época da caça na tapada,  foi só em 1807 que D. João VI o utilizou como residência permanente, antes da partida da corte para o Brasil devido às invasões Francesas. D. Manuel II (último rei Português) partiu, a partir daqui, para o exilio para Inglaterra, em 1910.
Este edificio tem uma área de quase 38 000 metros quadrados, com 1200 divisões, mais de 4700 portas e janelas, 156 escadarias e 29 pátios. Constituida por 3 pisos e uma simetria admirável e milimétrica, possui esculturas lindissimas (fizeram-me lembraram as de Florença em Itália), jardins soberbos e possui uma das mais importantes bibliotecas portuguesas com 40 000 obras (escritas em Latim, Francês e Português arcaico, bem que tentamos ler alguma coisa mas estava dificil...haha). Conseguimos tirar algumas fotos do interior mas sem flash.

Antigo hospital
(o altar-mor, no meio, facultava aos doentes de assistirem à missa)
Interior de uma cela de um enfermeiro
Biblioteca


Quartos




Sala da caça

Sala de jogos


Sala amarela

Capela


No jardim

O bilhete é gratuito ao Domingo de manhã. Nos restantes dias paga-se 6€, à excepção de Terça que se encontra encerrado, a abertura é das 10 às 17h. Existem concertos de carrilhão às 16h de Domingo e a visita ao mecanismo do carrilhão às 15h15. Os dois carrilhões, vindos da Antuérpia, encomendados por D. João V, em 1730, custaram 800 contos e conta com 47 sinos no carrilhão da torre sul e 45 sinos no carrilhão da torre norte.
Existem autocarros da Mafrense com partidas de Sintra, Ericeira e Campo Grande em Lisboa.


Depois desta visita fomos passear pelas ruas de Mafra, vimos e compramos os pastéis tradicionais de Mafra (Fradinhos), constituidos por uma massa bem tenra e um recheio divinal de gemas, açúcar, amêndoa e feijão branco. No fim-de-semana em que fomos havia a mostra gastronómica dos sabores da Tapada Real no concelho de Mafra, assim haviam vários restaurantes que serviam peças de caça apanhadas na tapada (gamo, veado e javali). Experimentamos o javali em vinha d'alhos que estava muito saboroso!







Palácio da Pena

O fim-de-semana passado começou à meia-noite quando saimos em direcção a Lisboa. Como a chuva não deixou de cair toda a noite e de manhã, aproveitamos para ir almoçar e conhecer o Dolce Vita Tejo, situado perto da Amadora.
Depois à tarde o S. Pedro brindou-nos com um solinho gostoso e fomos para Sintra, ver em particular o Palácio da Pena, um opulento (e um dos mais bonitos) palácio(s) datado do século XIX.


Fachada exterior do palácio

Relógio de sol

No século XII havia nesse local uma capela dedicada à nossa Srª da Pena. Em 1503 foi mosteiro doado à ordem de S. Jerónimo, por D. Manuel I e depois do terramoto (1755), em 1842-54 foi recuperado e construído o palácio por D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, marido da rainha D. Maria II.
Após a implementação da República foi convertido num museu, embora em 1889 a aquisição do parque e do palácio fosse já do Estado Português.
Em 1995 a UNESCO classificou a serra de Sintra, onde o palácio está inserido, como paisagem cultural-património da humanidade.


Vista de Sintra a partir do palácio da Pena

O interior do edificio é majestoso: paredes forradas a seda ou pintadas com ilusão de profundidade, vitrais riquíssimos vindos da Alemanha, ilustres capelas, louçaria real esplêndida, cozinha com objectos de cobre e utensílios usados na preparação de grandes banquetes,  retratos do rei D. Manuel II, telas pintadas pelo próprio D. Carlos, a presença de uma casa de banho com bidé, sanita e banheira...um património incalculável.

 Os últimos reis que habitaram o palácio foram: D. Pedro V e D. Estefânia (1853-1861), D. Luis I e D. Maria Pia (1861-1889), D. Carlos I e D. Amélia (1889-1908) e D. Manuel II (1908-1910).


Pórtico alegórico com tritão

O tritão (representado por meio homem e meio peixe) simboliza a criação do mundo.




Claustro Manuelino (o antigo mosteiro do séc. XVI
 foi revestido com azulejos hispano-árabes)

Brasão de armas de D. Fernando





O minarete



Para variar não podemos tirar fotografias do interior e também não tivemos tempo para visitar o restante parque da Pena. Com 85 hectares e um cenário botânico deslumbrante, a sua riqueza natural e as suas vistas levaram-nos a um cenário mágico e único, digno de um conto de fadas!




Em Sintra fazia um tempo magnífico, sem o excesso de calor de Lisboa. Os passeios à Pena eram quase diários. Definitivamente, era um sitio "encantador" e o seu querido Fernando não podia ter tido melhor ideia do que construir lá um palácio. D. Fernando apaixonara-se pelo local e pela ruína do antigo mosteiro dos monges de São Jerónimo, fundado por. D. Manuel I, e comprara o convento e a cerca da Pena logo em 1838. O local era de dificílimo acesso e a estrada para lá chegar só ficou pronta em 1840. Em 1841 começou o arranjo dos espaços exteriores, nomeadamente do parque, e a implantação dos jardins. A construção do palácio propriamente dito só se iniciou em 1844 e em 1853 ainda não estava concluída. Neste ano D. Maria encontrou "grandes progressos nas plantações. Fizeram-se pequenos jardins deliciosos, verdadeiras jóias".

Extraído do livro: "D. Maria II", de Maria de Fátima Bonifácio, editora Círculo de Leitores. p.248

(Atualizado em Agosto de 2012)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Doces regionais Algarvios (Doce Fino, D. Rodrigo)

Tal como prometido no post anterior venho aqui falar dos doces regionais algarvios!
Como algarvia que sou, alguma da minha familia tem a cargo o fabrico dos doces regionais algarvios e toda a minha infância (e adolescência) vi tios, primos e amigos no fabrico destes bolos, o seu ganha pão.

Depois da apanha da amêndoa, estas podem ser vendidas com ou sem casca, inteiras ou móidas. Constituída por 55% de gordura, 25% de proteína e 8% de hidratos de carbono, além de cálcio, ferro, fosforo e vitamina B, pode-se assim afirmar que a amêndoa é um fruto seco muito rico e dos mais completos nutricionalmente.


Bolos regionais Doce Fino
As amêndoas devem ser peladas antes de serem trabalhadas: deixa-las em água quente durante 5 minutos. Depois podem ser torradas e picadas várias vezes, pelo menos três,  até obter um fino pó de amêndoa. Coloca-se 500 g de açúcar com 800 ml de água num tacho anti-aderente e leva-se a lume brando até ferver, mexendo sempre. Quando estiver em ponto de fio (ao levantar a colher "faz um fio") adicionar 500 g de pó de farinha de amêndoa e mexer bem. Retirar do lume e deixar arrefecer. Amassar a massa ainda morna. Quando estiver fria fazer uma bola e deixar descansar até ao dia seguinte para poder modelar as várias figuras.
Estas podem ser recheadas com fios de ovos ou ovos moles. Pode-se também adicionar chocolate em pó à massa ou corantes alimentares para dar cor à massa ou na pintura das várias figuras.


Bolos regionais de Doce Fino (oferta do restaurante no dia do
 meu casamento)


D. Rodrigo
Os Dom Rodrigo são outro exemplo de bolo regional algarvio. Diz a lenda, que estes bolos foram confeccionados, pela primeira vez, no antigo convento de S. José, em Lagoa. Uma jovem plebeia apaixonou-se por um fidalgo chamado Dom Rodrigo. Como tal união não era possível, a jovem refugiou-se no convento e dedicou a sua vida a criar um doce, parecido com o amado. Os fios de ovos faziam lembrar os seus cabelos ondulados, a canela fazia lembrar a cor dos seus olhos e eram envolvidos por papel prata, para lembrar a armadura do seu cavalo.

Um dos melhores Dom Rodrigo que comi até hoje (Quinta dos Avôs, 07/07/11)

Feitos com uma mistura de fios de ovos, ovos moles, amêndoas peladas e canela aqui estão as suas receitas:
Para os fios de ovo: separam-se uma dúzia de gemas das claras e junta-se uma clara às gemas, que deverão ser cortadas com um garfo e passadas por um coador. Ao lume, coloca-se 500 gramas de açúcar a 2,5 dl de água até fazer "ponto de pérola". As gemas deverão ser colocadas num funil fino (também pode ser utilizado um saleiro vazio e limpo) que deverá rodar em círculos, por cima da calda. Os fios de ovo deverão ser retirados posteriormente com um coador.
Para os ovos moles: utiliza-se uma colher de sopa de água e outra de açúcar para cada gema, acompanhado de uma casca de limão num tacho e leva-se ao lume. Quando o açúcar estiver derretido, retira-se do lume e deixa-se arrefecer, antes de colocar lá as gemas (previamente coadas). Leva-se a ferver em lume brando, tendo o cuidado de não as deixar queimar.

(Atualizado a 09 de Setembro de 2014)