terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Palácio da Pena

O fim-de-semana passado começou à meia-noite quando saimos em direcção a Lisboa. Como a chuva não deixou de cair toda a noite e de manhã, aproveitamos para ir almoçar e conhecer o Dolce Vita Tejo, situado perto da Amadora.
Depois à tarde o S. Pedro brindou-nos com um solinho gostoso e fomos para Sintra, ver em particular o Palácio da Pena, um opulento (e um dos mais bonitos) palácio(s) datado do século XIX.


Fachada exterior do palácio

Relógio de sol

No século XII havia nesse local uma capela dedicada à nossa Srª da Pena. Em 1503 foi mosteiro doado à ordem de S. Jerónimo, por D. Manuel I e depois do terramoto (1755), em 1842-54 foi recuperado e construído o palácio por D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, marido da rainha D. Maria II.
Após a implementação da República foi convertido num museu, embora em 1889 a aquisição do parque e do palácio fosse já do Estado Português.
Em 1995 a UNESCO classificou a serra de Sintra, onde o palácio está inserido, como paisagem cultural-património da humanidade.


Vista de Sintra a partir do palácio da Pena

O interior do edificio é majestoso: paredes forradas a seda ou pintadas com ilusão de profundidade, vitrais riquíssimos vindos da Alemanha, ilustres capelas, louçaria real esplêndida, cozinha com objectos de cobre e utensílios usados na preparação de grandes banquetes,  retratos do rei D. Manuel II, telas pintadas pelo próprio D. Carlos, a presença de uma casa de banho com bidé, sanita e banheira...um património incalculável.

 Os últimos reis que habitaram o palácio foram: D. Pedro V e D. Estefânia (1853-1861), D. Luis I e D. Maria Pia (1861-1889), D. Carlos I e D. Amélia (1889-1908) e D. Manuel II (1908-1910).


Pórtico alegórico com tritão

O tritão (representado por meio homem e meio peixe) simboliza a criação do mundo.




Claustro Manuelino (o antigo mosteiro do séc. XVI
 foi revestido com azulejos hispano-árabes)

Brasão de armas de D. Fernando





O minarete



Para variar não podemos tirar fotografias do interior e também não tivemos tempo para visitar o restante parque da Pena. Com 85 hectares e um cenário botânico deslumbrante, a sua riqueza natural e as suas vistas levaram-nos a um cenário mágico e único, digno de um conto de fadas!




Em Sintra fazia um tempo magnífico, sem o excesso de calor de Lisboa. Os passeios à Pena eram quase diários. Definitivamente, era um sitio "encantador" e o seu querido Fernando não podia ter tido melhor ideia do que construir lá um palácio. D. Fernando apaixonara-se pelo local e pela ruína do antigo mosteiro dos monges de São Jerónimo, fundado por. D. Manuel I, e comprara o convento e a cerca da Pena logo em 1838. O local era de dificílimo acesso e a estrada para lá chegar só ficou pronta em 1840. Em 1841 começou o arranjo dos espaços exteriores, nomeadamente do parque, e a implantação dos jardins. A construção do palácio propriamente dito só se iniciou em 1844 e em 1853 ainda não estava concluída. Neste ano D. Maria encontrou "grandes progressos nas plantações. Fizeram-se pequenos jardins deliciosos, verdadeiras jóias".

Extraído do livro: "D. Maria II", de Maria de Fátima Bonifácio, editora Círculo de Leitores. p.248

(Atualizado em Agosto de 2012)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Doces regionais Algarvios (Doce Fino, D. Rodrigo)

Tal como prometido no post anterior venho aqui falar dos doces regionais algarvios!
Como algarvia que sou, alguma da minha familia tem a cargo o fabrico dos doces regionais algarvios e toda a minha infância (e adolescência) vi tios, primos e amigos no fabrico destes bolos, o seu ganha pão.

Depois da apanha da amêndoa, estas podem ser vendidas com ou sem casca, inteiras ou móidas. Constituída por 55% de gordura, 25% de proteína e 8% de hidratos de carbono, além de cálcio, ferro, fosforo e vitamina B, pode-se assim afirmar que a amêndoa é um fruto seco muito rico e dos mais completos nutricionalmente.


Bolos regionais Doce Fino
As amêndoas devem ser peladas antes de serem trabalhadas: deixa-las em água quente durante 5 minutos. Depois podem ser torradas e picadas várias vezes, pelo menos três,  até obter um fino pó de amêndoa. Coloca-se 500 g de açúcar com 800 ml de água num tacho anti-aderente e leva-se a lume brando até ferver, mexendo sempre. Quando estiver em ponto de fio (ao levantar a colher "faz um fio") adicionar 500 g de pó de farinha de amêndoa e mexer bem. Retirar do lume e deixar arrefecer. Amassar a massa ainda morna. Quando estiver fria fazer uma bola e deixar descansar até ao dia seguinte para poder modelar as várias figuras.
Estas podem ser recheadas com fios de ovos ou ovos moles. Pode-se também adicionar chocolate em pó à massa ou corantes alimentares para dar cor à massa ou na pintura das várias figuras.


Bolos regionais de Doce Fino (oferta do restaurante no dia do
 meu casamento)


D. Rodrigo
Os Dom Rodrigo são outro exemplo de bolo regional algarvio. Diz a lenda, que estes bolos foram confeccionados, pela primeira vez, no antigo convento de S. José, em Lagoa. Uma jovem plebeia apaixonou-se por um fidalgo chamado Dom Rodrigo. Como tal união não era possível, a jovem refugiou-se no convento e dedicou a sua vida a criar um doce, parecido com o amado. Os fios de ovos faziam lembrar os seus cabelos ondulados, a canela fazia lembrar a cor dos seus olhos e eram envolvidos por papel prata, para lembrar a armadura do seu cavalo.

Um dos melhores Dom Rodrigo que comi até hoje (Quinta dos Avôs, 07/07/11)

Feitos com uma mistura de fios de ovos, ovos moles, amêndoas peladas e canela aqui estão as suas receitas:
Para os fios de ovo: separam-se uma dúzia de gemas das claras e junta-se uma clara às gemas, que deverão ser cortadas com um garfo e passadas por um coador. Ao lume, coloca-se 500 gramas de açúcar a 2,5 dl de água até fazer "ponto de pérola". As gemas deverão ser colocadas num funil fino (também pode ser utilizado um saleiro vazio e limpo) que deverá rodar em círculos, por cima da calda. Os fios de ovo deverão ser retirados posteriormente com um coador.
Para os ovos moles: utiliza-se uma colher de sopa de água e outra de açúcar para cada gema, acompanhado de uma casca de limão num tacho e leva-se ao lume. Quando o açúcar estiver derretido, retira-se do lume e deixa-se arrefecer, antes de colocar lá as gemas (previamente coadas). Leva-se a ferver em lume brando, tendo o cuidado de não as deixar queimar.

(Atualizado a 09 de Setembro de 2014)




segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Amendoeiras em flor...

Hoje aproveitei o último dia do mês para ir tirar umas fotos de amendoeiras em flor. Fui a Alte, Silves e Messines.
 Reza a lenda que há muitos séculos atrás, antes de Portugal existir, reinava em "Chelb" (actual  Silves) um jovem rei Mouro que se apaixonou por uma jovem vinda das terras do Norte, tendo-a desposado. Contudo, como a jovem rainha sentia tristeza de não poder ver neve, habitual na sua terra natal, o rei teve a ideia de mandar plantar amendoeiras cujo objectivo seria o facto de dar belas flores brancas e que dessem a ilusão de neve, vistas de longe, objectivo esse alcançado.

Com um céu azul e um ar fresquinho (9ºC) tirei as seguintes fotos:










A amendoeira (Amygdalus communis) é uma árvore que floresce em Janeiro, antes do aparecimento das folhas. Originária do Oriente, conseguem-se distinguir as suas variedades pela cor das flores: amarga (cor de rosa) ou doce (cor branca). Dando como fruto: a amêndoa, é a partir desta, que saem os variados doces regionais Algarvios (falarei deles num próximo post).