domingo, 13 de fevereiro de 2011

Doces regionais Algarvios (Doce Fino, D. Rodrigo)

Tal como prometido no post anterior venho aqui falar dos doces regionais algarvios!
Como algarvia que sou, alguma da minha familia tem a cargo o fabrico dos doces regionais algarvios e toda a minha infância (e adolescência) vi tios, primos e amigos no fabrico destes bolos, o seu ganha pão.

Depois da apanha da amêndoa, estas podem ser vendidas com ou sem casca, inteiras ou móidas. Constituída por 55% de gordura, 25% de proteína e 8% de hidratos de carbono, além de cálcio, ferro, fosforo e vitamina B, pode-se assim afirmar que a amêndoa é um fruto seco muito rico e dos mais completos nutricionalmente.


Bolos regionais Doce Fino
As amêndoas devem ser peladas antes de serem trabalhadas: deixa-las em água quente durante 5 minutos. Depois podem ser torradas e picadas várias vezes, pelo menos três,  até obter um fino pó de amêndoa. Coloca-se 500 g de açúcar com 800 ml de água num tacho anti-aderente e leva-se a lume brando até ferver, mexendo sempre. Quando estiver em ponto de fio (ao levantar a colher "faz um fio") adicionar 500 g de pó de farinha de amêndoa e mexer bem. Retirar do lume e deixar arrefecer. Amassar a massa ainda morna. Quando estiver fria fazer uma bola e deixar descansar até ao dia seguinte para poder modelar as várias figuras.
Estas podem ser recheadas com fios de ovos ou ovos moles. Pode-se também adicionar chocolate em pó à massa ou corantes alimentares para dar cor à massa ou na pintura das várias figuras.


Bolos regionais de Doce Fino (oferta do restaurante no dia do
 meu casamento)


D. Rodrigo
Os Dom Rodrigo são outro exemplo de bolo regional algarvio. Diz a lenda, que estes bolos foram confeccionados, pela primeira vez, no antigo convento de S. José, em Lagoa. Uma jovem plebeia apaixonou-se por um fidalgo chamado Dom Rodrigo. Como tal união não era possível, a jovem refugiou-se no convento e dedicou a sua vida a criar um doce, parecido com o amado. Os fios de ovos faziam lembrar os seus cabelos ondulados, a canela fazia lembrar a cor dos seus olhos e eram envolvidos por papel prata, para lembrar a armadura do seu cavalo.

Um dos melhores Dom Rodrigo que comi até hoje (Quinta dos Avôs, 07/07/11)

Feitos com uma mistura de fios de ovos, ovos moles, amêndoas peladas e canela aqui estão as suas receitas:
Para os fios de ovo: separam-se uma dúzia de gemas das claras e junta-se uma clara às gemas, que deverão ser cortadas com um garfo e passadas por um coador. Ao lume, coloca-se 500 gramas de açúcar a 2,5 dl de água até fazer "ponto de pérola". As gemas deverão ser colocadas num funil fino (também pode ser utilizado um saleiro vazio e limpo) que deverá rodar em círculos, por cima da calda. Os fios de ovo deverão ser retirados posteriormente com um coador.
Para os ovos moles: utiliza-se uma colher de sopa de água e outra de açúcar para cada gema, acompanhado de uma casca de limão num tacho e leva-se ao lume. Quando o açúcar estiver derretido, retira-se do lume e deixa-se arrefecer, antes de colocar lá as gemas (previamente coadas). Leva-se a ferver em lume brando, tendo o cuidado de não as deixar queimar.

(Atualizado a 09 de Setembro de 2014)




segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Amendoeiras em flor...

Hoje aproveitei o último dia do mês para ir tirar umas fotos de amendoeiras em flor. Fui a Alte, Silves e Messines.
 Reza a lenda que há muitos séculos atrás, antes de Portugal existir, reinava em "Chelb" (actual  Silves) um jovem rei Mouro que se apaixonou por uma jovem vinda das terras do Norte, tendo-a desposado. Contudo, como a jovem rainha sentia tristeza de não poder ver neve, habitual na sua terra natal, o rei teve a ideia de mandar plantar amendoeiras cujo objectivo seria o facto de dar belas flores brancas e que dessem a ilusão de neve, vistas de longe, objectivo esse alcançado.

Com um céu azul e um ar fresquinho (9ºC) tirei as seguintes fotos:










A amendoeira (Amygdalus communis) é uma árvore que floresce em Janeiro, antes do aparecimento das folhas. Originária do Oriente, conseguem-se distinguir as suas variedades pela cor das flores: amarga (cor de rosa) ou doce (cor branca). Dando como fruto: a amêndoa, é a partir desta, que saem os variados doces regionais Algarvios (falarei deles num próximo post).


domingo, 23 de janeiro de 2011

Alentejo I (Arcos/Vila Viçosa/Monsaraz)

 A passagem de ano foi passada em Sagres na companhia do meu marido e alguns amigos e amigos deles. Pensava que ia estar frio...não que faça frio propriamente dito mas naquela zona costuma estar um vento cortante que não havia.

Assim passamos a passagem do ano a ver fogo de artificio e a dançar um pouco. No resto do dia aproveitamos para descansar até à noite e depois fomos jantar com uma amiga: pizza acompanhada de sangria (estava tudo tão bom, mas tão bom que eu e ela acabamos no WC a chamar o "gregório").

No primeiro fim-de-semana do ano fomos até ao alto Alentejo aproveitar um voucher da "A vida é bela". Composta por uma noite para duas pessoas com pequeno-almoço incluído, ficamos no Monte da Rosada, situada em Arcos. Esta freguesia dista a 6 Km de Estremoz e tem cerca de 24 km quadrados e pouco mais de 1300 habitantes (2001) A quinta restaurada do século XIX é de facto notável.




O quarto apesar de pequeno era acolhedor e com cama de casal. O pequeno-almoço era bastante bom (haviam umas compotas para barrar o pão que eram uma delícia e a de abacaxi era de "chorar por mais").

Depois fomos para Vila Viçosa! Esta vila situada a 55 Km de Évora tem a sua economia baseada essencialmente na extração da pedra mármore (note-se nas fachadas) e estivemos a ver essencialmente os vários monumentos tais como: 

Igrejas






Fachadas de alguns edifícios



Muralhas do castelo


E o mais notável: o Palácio Ducal!




História do Paço Ducal

Situado no Terreiro do Paço desta vila, desde o século XVI (a sua construção começou em 1501) o paço ducal foi sede da casa de Bragança (1ª família de nobreza nacional), tendo no século XVII sido aclamado o 8º duque de Bragança como rei de Portugal (D. João IV). Posteriormente tendo ficado como residência de férias da família real foi aqui que D. Carlos dormiu a sua última noite antes de ser assassinado.

Dotado de uma fachada com 110 m de comprimento, uma cozinha faustosa de instrumentos em cobre (uma das mais ricas em cobre em toda a Europa), uma capela, grande quantidade de obras de arte em várias salas (quadros, esculturas, tapeçarias...), biblioteca, louçaria rica em porcelanas, armaria.

 Eu gostei essencialmente do quarto da rainha com as suas paredes e teto, forrados a seda (é de salientar que tanto o rei como a rainha, cada um,  tinha o seu quarto de dormir e escritório lado a lado). Até vi algumas das ementas de 1905, escritas em Português e Francês. Já haviam sobremesas como aquelas que conhecemos como "arroz-doce" e "profiteroles" (pronto, sou gulosa e assumo!).

Após a implementação da república em 1910, o palácio integrou a Fundação da Casa de Bragança (passou como bens familiares do rei e não do estado) tendo aberto como museu nos anos 40. Atualmente, só é possível efetuar visitas: guiadas e estritas a algumas partes (tive pena de não ter visto as casas de banho, os aposentos dos criados ficavam por cima das dos nobres), pagas e com marcação prévia.

Se quiserem fazer um tour virtual deste palácio podem, ainda, faze-lo em:


Depois ficamos a saber que Vila Viçosa é a terra onde Florbela Espanca nasceu em 1894.  Poeta, poetisa...aqui ficam alguns dos seus versos...

         Ser poeta é ser mais alto, é ser maior  Do que os homens! Morder como quem beija!
          É ser mendigo e dar como quem seja
          Rei do Reino de Aquém e Alem Dor!
          .............................
          É ter cá dentro um astro que flameja,
          É ter garras e asas de condor!
          .............................
          É ter fome, é ter sede de Infinito!
          ............................
          É condensar o mundo num só grito!


Casa onde nasceu Florbela Espanca


Descemos e aproveitamos  para desfrutar as vistas magníficas e almoçar em Monsaraz.












Monsaraz é uma vila medieval, provavelmente uma das mais antigas de Portugal, de cal e xisto, com vestígios pré-históricos, tendo sido conquistada aos Muçulmanos em 1157 por D. Afonso Henriques e depois reconquistada em 1232. No entanto, só foi repovoada por D. Afonso III que lhe atribuiu foral e limite territorial.

A nível  enológico (ciência que estuda os vinhos), esta região do Alto Alentejo é caracterizada por ser uma boa zona vinícola de vinhos tintos (Redondo, Borba, Monsaraz, Estremoz), bem encorpados e de sabor forte (provamos um chamado: ponto com, da região de Estremoz e era bastante bom).
A nível de especialidades gastronómicas temos a frisar a carne alentejana (vimos muitos porcos, vacas a pastarem nos campos) tais como os secretos de porco preto e carne à alentejana. Para sobremesas, experimentamos: bolo rançoso, pudim de água, pão de rala e bolo de requeijão (verdadeiras maravilhas da doçaria portuguesa!).

(Atualizado a 22 de Abril de 2014)