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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Istambul II: a cidade das civilizações


Mesquita Azul (o cartão postal de Istambul)

Apesar de Ankara ser a capital do país, Istambul é a cidade mais populosa do país e a quinta maior do mundo, com quase 14 milhões de habitantes. Considerada por ser uma das cidades mais importantes da religião Islâmica com um grande número de mesquitas espalhadas, Istambul também é o principal pólo do comércio, indústria, universitário e cultural do país.

No dia seguinte, após uma noite bem descansada (e merecida) e com o tempo melhor (apesar do frio anormal no início de Outubro) começamos por visitar a mesquita de Rüstem Pasha. Esta é caracterizada pelos belíssimos azulejos de Iznik (cidade próxima que produzia os mais belos azulejos de toda a região), tendo sido construída para o marido da princesa Mihrimah (filha do sultão Solimão, o Magnífico e Roxelana), no século XVI. Está localizada por cima de um complexo de lojas, cujas rendas eram utilizadas nos gastos da mesquita. Os azulejos em tons de azul e vermelho com motivos florais e geométricos (uma vez que figuras de santos são estritamente proibidas pela religião Muçulmana), aliados aos bonitos candeeiros e o tapete vermelho, fazem dela uma das mesquitas mais ricas em azulejaria e com um interior muito bonito.

Pormenores do interior da Mesquita de Rüstem Pasha

No interior das mesquitas é obrigatório entrarmos descalços (deixamos os sapatos à entrada ou levamo-los guardados connosco) ou então utilizarmos uma protecção plástica por cima dos sapatos, assim como é também proibido entrar com os ombros e os joelhos descobertos. Li que em alguns países é obrigatório usar um lenço na cabeça quando se entra numa mesquita, contudo aqui nunca houve a necessidade de tal (eu usei sim, mas para me proteger do frio e na rua).

Depois fomos então para o centro histórico e principal da região (o mais importante a nível histórico, arqueológico e turístico), património da humanidade da UNESCO devido aos seus monumentos e ruínas históricas importantes, em Sultanahmed. Aqui, no alto da colina estão localizadas a mesquita de Sultan Ahmed Camii (vulgarmente conhecida como "Mesquita Azul") e na sua frente Hagia Sofia.

A "Mesquita Azul" foi mandada construir pelo sultão Ahmed, nas primeiras duas décadas do século XVII para ofuscar a beleza de Hagia Sofia, sendo que alguns dos pedreiros que ajudaram na sua construção construiram o Taj Mahal. Dotada de uma arquitectura impressionante com 6 minaretes (só as mesquitas imperiais podem ter este número), o seu nome vem do facto do seu interior conter mais de 21000 azulejos em várias tonalidades de azul, também vindos de Iznik.

Pormenor frontal da Mesquita Azul


Pormenores interiores da Mesquita Azul


Em Sultanahmed

Hagia Sofia foi uma igreja construida em 537 d.C pelo imperador Romano Justinus, tendo na época sido a maior igreja cristã do mundo. No século XV, após a queda da igreja Católica, mas devido à sua rara e enorme beleza foi convertida em mesquita (embora as figuras religiosas das paredes  tenham sido tapadas) e em 1934 em museu.


Hagia Sofia




Em Hagia Sofia perdemos-nos do restante grupo que tinha aproveitado para ir à casa de banho antes de entrar (na entrada de muitos locais públicos, como este, tivemos de passar por detectores de metais e a confusão e as pessoas eram muitas). Aproveitamos para ver toda aquela beleza, o interior ricamente decorado com muitas das figuras que tinham sido tapadas, agora descobertas.




Depois enquanto esperavamos pelo restante grupo vimos ainda uma manifestação de um grupo de jovens seguido da polícia anti-choque. Não houve qualquer confronto e nem confusão (livra)!
Vimos e ouvimos os gritos dos vendedores de pão (simit), tapetes e revistas pelas ruas, numa confusão sem igual!

Numa praça ao lado da mesquita azul está o hipódromo, um local que era o centro da cidade há mais de 1000 anos, tendo sido palco de uma guerra sangrenta no século VI. Actalmente, só existe a parte central dos monumentos. Exemplos dissos, temos o obelisco Egípcio, a coluna de tijolo e a Fonte Alemã.
A obelisco mais antigo de Istambul é o Egípcio (ou de Teodósio), talvez erguido em 1500 a.C no antigo Egipto e depois trazido para Istambul no século IV d.C, para ornamentar, melhorar e desenvolver a cidade. Mede quase 20 metros de altura mas pensa-se que falta grande parte da pedra original.



 Detalhes do obelisco Egípcio




Não se sabe exactamente quando foi construída a coluna de tijolo (na foto seguinte) que mede 32 metros de altura e é feita de pedras talhadas de diferentes tamanhos. Pensa-se que poderá ser dos séculos IV-V a.C e terá sido restaurada no século X d.C, após muitos anos de pilhagens e abandono.




A fonte Alemã é, provavelmente, o elemento  mais recente introduzido nesta área, no século XIX  oferecido por um imperador Alemão impressionado com a hospitalidade Turca, cujos pormenores se podem ver nas fotos seguintes:




Na parte da tarde, o sol deu o ar da sua graça e vistamos o palácio de Topkapi, a primeira residência oficial dos sultões (tendo continuando-o a ser por mais 400 anos), mandado construir em 1453 pelo sultão Mehmet II. Em 1853, o sultão Abdül Mecid I trocou-o pelo Palácio de Dolmabahçe (a foto deste encontra-se no post anterior) e desde 1924 que foi transformado em museu.


Parte frontal do palácio de Topkapi


Estivemos a ver o palácio constituído por uma série de pavilhões, entre os quais se inclui o harém. Este era ocupado por 1000 pessoas, incluindo as esposas, concubinas e filhos do sultão, assim como pelos Eunucos que as guardavam. Esses tempos passaram mas actualmente é possível admirar todo aquele espaço como, também, uma série de objectos valiosos e opulentos tais como armas, armaduras, trajes imperiais, relógios, peças de: cerâmica, vidro e prata, adagas com maravilhosas jóias incrustadas, manuscritos e cópias do Alcorão ricamente decorados.


Pormenores do palácio de Topkapi


Aproveitamos o final da tarde para fazer compras no Grand Bazaar, o maior mercado coberto do mundo, com mais de 4000 lojas divididas por ruas especializadas,  com tudo o que se possa querer, desde jóias, tecidos, lâmpadas, metais, vidros, chaleiras... Aproveitei aqui para provar e comprar uns doces chamados "Delicia Turca"e uns porta-chaves com o olho do mau olhado (símbolo para livrar da inveja, usualmente usado) para oferta. Fica no centro da cidade e tem atraido comerciantes e clientes durante séculos. É só ficar e observar os objectos desejados e depois tentar negociar. O preço final pode descer até metade ou dois terços do inicial, à excepção daqueles já marcados (e mesmo assim pode-se sempre tentar).


Pormenores do Grand Bazaar


Antes de jantarmos num self-service (a fome era tanta que paramos no primeiro local onde serviam alguma coisa comestível) fomos a um hamman, uma versão antiga do actual spa. Existem vários espalhados pela cidade  e foram introduzidos pelos Otomanos, uma vez que acreditavam que a limpeza física também ia ajudar na limpeza espiritual, sendo um local de relaxamento e socialização (mas homens e mulheres ficam em locais separados). Inicialmente, ficamos deitadas em cima de uma pedra octogonal, quente, em mármore e depois fomos esfregadas, massajadas e lavadas (até mesmo o cabelo) e depois fomos relaxar para uma bela e grande banheira de água bem quentinha.

Ainda tivemos tempo de provar o gelado Turco, um pouco estranho mas bom e depois de termos andando de autocarro, funicular e metro chegamos finalmente ao hotel.
E foi interessante observar que não vimos qualquer criança abandonada ou mendigo na rua a pedir. Também não sentimos qualquer insegurança enquanto andavamos pela ruas.  E até quando pedimos ajuda a um senhor já de idade em Inglês, prontamente nos auxiliou.

No outro dia, acordamos cedo e a nossa guia deixou-nos dentro do aeroporto (a segurança à entrada é impressionante com vários detectores de metais). E no final foi razão para lhe dizer: "Tesekkur ederim  (tradução: muito obrigada) Sheffika, que nos acompanhaste durante toda esta viagem".

E só vos posso dizer que apesar das minhas expectativas em relação a Istambul serem altas foram tudo o que eu estava à espera e um pouco mais (apesar do tempo não ter estado o ideal) e nos primeiros dias que regressei a Portugal senti saudades do despertar da primeira oração da manhã e das mesquitas lá bem no fundo... do horizonte!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Istambul I: na passagem entre a Ásia e a Europa!

E se eu me estava a queixar do tempo em Ankara, nesse dia, no dia seguinte foi muito pior. Continuou a chover enquanto passavamos pelas montanhas de Bolu e depois ocorreu uma valente trovoada quando passavamos da Ásia para a Europa. Até parecia que todos aqueles relâmpagos nos estavam a dar as boas vindas, na chegada a uma das cidades mais fascinantes e distintas que conheci até hoje: Istambul!

Esta cidade divide-se em duas partes com o estreito do Bósforo a ligar o mar de Mármara com o Mar Negro (que se devia chamar Mar do Norte, mas já existia um com esse nome) e é a única cidade do mundo a ocupar dois continentes. O centro da parte Europeia da cidade está também dividida pelo estuário designado como "Corno de Ouro".  As montanhas mais altas estão situadas na zona Asiática.


Ponte de Bósforo (separa os dois continentes)

A cidade foi desde, tempos imemóriais, local de importantes trocas comerciais entre o oriente e ocidente devido à sua importante localização geográfica. Foram encontrados vestígios arqueológicos anteriores a 6000 a.C e teve como primeiro nome "Bizâncio", depois "Constantinopla" no tempo dos Romanos e depois o actual nome de "Istambul".

Depois do almoço, num restaurante em frente ao Bósforo, que consistiu em algumas boas mezzes (entradas) e o tradicional folhado de queijo, fomos fazer um cruzeiro (a chuva acalmou um pouco nesse período) onde foi possível ver todos aqueles grandiosos palácios à beira mar plantados...


Palácio Beylerbevi

Palácio de Çiragan

Palácio Dolmabahçe


...as casas sofisticadas e majestosas construídas em madeira...












...as muralhas dos fortes e castelos que permitiram a defesa dos vários impérios durante séculos, as numerosas mesquitas, os bonitos hotéis, as várias pontes e até um submarino.



Mesquita Dolmabahçe

Mesquita Nova

Mesquita Ortaköy

Por causa da chuva (e devido aos muitos engarrafamentos desta caótica cidade), fomos para uma loja de peles onde estivemos a assistir a um desfile de casacos de peles e a beber chá de maçã (o tradicional chay). Inclusivemente até alguns dos elementos do grupo desfilaram, tal como o meu marido, que apesar de coxo desfilou com peles de troglodita, o que causou uma gargalhada geral no público (hahaha).

E depois ficamos hospedados no melhor hotel de toda a viagem: o Hotel Ramada Plaza, onde nos atribuiram uma suite com uma grande cama de casal, sala de estar com sofás e LCD, secretária, cozinha, duas casas de banho em mármore, tendo uma delas uma grande banheira com hidromassagem, onde me deliciei com um grande banho de espuma no final do dia, tudo porque não haviam mais quartos simples disponíveis (hahaha). 



terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ankara, a capital da Turquia Moderna

Pormenor de uma das paredes do mausóleu
de Ataturk


Apesar da lesão no pé do meu marido, foi graças à meia elástica de uma das nossas colegas de grupo (o nosso obrigado à Alexandra) que a nossa viagem iniciou no dia seguinte com a visita à cidade subterrânea de Saratli Kirkgöz Yeralti Sehri, uma das muitas cidades escavadas em rochas vulcânicas por uma das civilizações mais antigas e poderosas: os Hititas. Existentes há 4000 anos atrás, estes fundaram um poderoso império na Anatólia (actual Turquia) e a sua queda só se deu nos séculos XIII-XII a.C.



Estas cidades constituíam autênticos labirintos, bem estruturados e com locais bem definidos para o armazenamento de alimentos, poços, cozinhas e que através dos seus canais sinuosos e estreitos permitiam dificultar a passagem dos inimigos e  manter a população a salvo, durante meses.



Depois passamos por um dos lagos mais salgados: o Tuzgal, com mais de 100 quilometros de extensão, 40 metros de profundidade e que abastece a maior parte do sal consumido no país, no percurso em direcção à Ankara, a capital do país.




Quando lá chegamos já a chuva ameaçava aparecer e depois choveu mesmo (e eu a pensar que na Turquia chovia pouco, em particular no mês de Outubro, como estava bem enganada), quando chegamos ao mausóleu de Ataturk (apelido, este, que significa "pai dos Turcos") onde se pode ver o seu túmulo. Nas seguintes fotos podem-se aqui ver o mausóleu e alguns pormenores do mesmo (à esquerda, em baixo, o bonito tecto do túmulo de Ataturk).






Mustafa Kemal Ataturk foi o fundador da república Turca, da ocidentalização e do estado laico no país, sendo admirado e mesmo venerado pela população.
Apesar de existirem muitas mesquitas na Turquia, a sua visita não é obrigatória cinco vezes por dia, as mulheres vestem-se à ocidental (podendo usar ou não lenço) e a bebida nacional é à base de alcool (raki), contrariando a religião predominante, a muçulmana.
Ataturk foi um oficial militar na 1ª Guerra Mundial e depois liderou o movimento nacional na Guerra da Indepêndencia Turca, estabelecendo governo em Ankara (nessa altura Istambul era a capital) e derrotando as forças dos Aliados, permitiu a independência do país.

A capital mudou então para Ankara e foi adoptado um alfabeto latino da familia ural-altaica (que compreende línguas como o Finlandês e o Húngaro), o uso do calendário Gregoriano (o Árabe rege-se de acordo com as luas), o direito de voto às mulheres e a monogamia (um homem só pode estar casado com uma mulher de cada vez), bem diferente da cultura e mentalidade Árabe.

Neste grandioso mausóleu, além do túmulo, pode-se ainda ver a reconstrução de cenas de batalhas que parecem ser bem reais, com bons efeitos sonoros e visuais, assim como objectos da vida privada de Ataturk.

Ankara deriva da palavra "ángora" e é uma importante cidade industrial e comercial. Além de estar localizada no centro e ser o centro do governo da Turquia, é famosa pela lã mohair (o símbolo da cidade é uma cabra, da qual se extrai a sua lã), pela raça única de gatos e coelhos.

Antes de voltarmos para o nosso hotel, em Ankara, fizemos uma visita panorâmica pela cidade (de autocarro, porque chovia bastante) e fomos visitar o museu das civilizações antigas: o Anadolu Medeniyetleri Müzesi. Este, está muito bem organizado por ordem das várias épocas cronológicas históricas e reúne várias colecções de achados arqueológicos encontrados pela cidade, sendo considerado um dos melhores museus do mundo.








terça-feira, 25 de outubro de 2011

Capadócia: local mágico ou cenário de ficção científica?

Após poucas (mesmo poucas) horas de sono, o nosso dia começou, ainda, noite cerrada por um passeio de balão, naquele cenário surreal e mágico que mais parece ser próprio de uma série de ficção científica. Adjectivos à parte, a verdade é que nunca irei esquecer aquele sublime passeio de balão (verdadeiramente espectácular) mas apesar do seu preço elevado (150€ por pessoa) valeu cada centavo!





Entre uma fatia de bolo e uma bebida quente, no frio da madrugada, o balão começou a ser cheio e depois de pronto, subimos para dentro dele e suavemente começamos a flutuar e a assistir ao raiar do dia... foi simplesmente: lindo!

 E no meio desta paisagem inóspita, passamos rentes às casas, essas estranhas habitações com chaminés em forma cónica, pombais, mesquitas e  hotéis escavados em grutas, resultante da erupção dos vulcões e moldada pela erosão natural das chuvas e ventos, na presença de mais de 70 balões no ar.


















Depois de estarmos uma hora nos céus da Capadócia, descemos à terra e celebramos o nosso passeio com um copo de espumante (e também recebemos um diploma de certificação de balonismo...hahaha)!





Depois do pequeno almoço, fomos ver estranhas formas de esculturas (inclusivé até em forma de animais) e pequenas lojas de comércio locais.









Almoçamos, bem, num caranvasai. O meu marido até bebeu cerveja Turca, a um preço proibitivo (nos restaurantes de beira de estrada é proibido vender bebidas alcoolicas e nos outros restaurantes o imposto sobre bebidas alcoolicas é superior a 50% da União Europeia, trata-se de um país muçulmano, lembram-se?).

Visitamos uma loja de tapetes e o respectivo método de produção, inclusivé a dos lindissimos tapetes de seda. Foi interessante ver a quantidade de senhoras a produzirem os seus tapetes no local, apesar de grande parte do fabrico dos tapetes ser efectuado em casas particulares. Os preços são tanto maiores quanto maior for o número de nós e o material utilizado nos mesmos.








Depois fomos visitar o Parque Natural de Göreme, um museu ao ar livre, património mundial da Unesco, desde 1985.


Vista parcial do vale Göreme

Aí visitamos algumas das primeiras igrejas cristãs (existiam quase duzentas), escondidas em galerias de autênticas cidades do mundo subterrâneo. Foram os primeiros mosteiros do mundo, com desenhos e pinturas nas paredes, pois muitos não sabiam ler e/ou escrever, numa época em que os cristãos eram perseguidos. Estas pequenas igrejas (dos séculos V-XII) são muito simples e as suas frágeis pinturas impediram-nos de tirar quaisquer fotografias do seu interior.

Na foto seguinte está a entrada da Sakli Kilise (em Português: "igreja escondida"), escavada numa colina que domina o vale de Zemi e escondida e os seus frescos preservados, durante séculos, devido à erosão que lhe bloqueou a entrada (daí o seu nome).





No final da tarde fomos ainda a uma joalharia, antes de voltarmos ao hotel Perissia, onde ficamos pela segunda noite consecutiva, não antes do meu marido se ter lesionado num dos pés mas prontamente assistido por um médico de outro grupo, no local.




quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Konya, o berço do sufismo

Depois de termos andando de camioneta durante horas e percorrido mais de 400 Km (desde Pamukkale e com apenas duas paragens pelo meio, uma delas para almoço) chegamos  à cidade de Konya, uma das cidades mais conservadoras do país (notou-se pela quantidade de lenços, em número superior aos dos outros locais, usados pelas mulheres). E apesar da viagem ter sido literalmente uma "seca" com tantos terrenos áridos e vazios, o supreendente (e mais bonito) foi mesmo o número de mesquitas vistas, pelo caminho.




Konya é uma das cidades mais importantes de peregrinação, na região da Anatólia Central, onde está o santuário ou Museu Mevlana (também é conhecido por Mausoléu Verde ou Dome Green, devido à cor da cúpula cilíndrica bem visível, o cartão postal da cidade) que contém o sarcófago de Mevlana (também designado por Rumi), o sufi fundador dos Dervixes. O sufismo é uma corrente mística e comtemplativa do Islão, que professa a religião Muçulmana, mas os seus ideais pelo amor ao próximo, o direito à liberdade religiosa, a liberdade da mulher e a união a Deus através da dança, da tolerância, da compreensão e da misericórdia são bem diferentes dos Muçulmanos Ortodoxos.




                                                                     Museu Mevlana



O santuário é sagrado e atrai milhão e meio de peregrinos por ano. Na entrada deste, existe um local designado por fonte das abluções que permite a lavagem da cara, pés, antebraços e mãos, pelos fiéis, antes de entrarem neste espaço sagrado, assim como é proibido o uso de sapatos, por todos (como em todas as outras mesquitas).



Parte superior da fonte das abluções



No Museu Mevlana (aberto em 1927) estão os túmulos das figuras mais importantes dos Dervixes, assim como alguns dos instrumentos musicais e roupas pertencentes a Mevlana. Junto ao museu, está um cemitério e vimos ainda as típicas casas do período otomano.


Cemitério

Casa Otomana


No caminho para a Capadócia, passamos por uma antiga rota da seda, um caminho utilizado por caravanas de camelos que transportavam mercadorias da Ásia para a Europa, visto este país ter uma situação geográfica privilegiada (o de se situar entre dois continentes), uma das razões para a existência dos caranvasais, locais utilizados para o descanso de homens/animais e de defesa contra assaltos.

Visitamos o caranvasai "Sultanhami" um dos maiores e mais conhecidos da região com 8 séculos de existência, restaurado por várias vezes e com muitos objectos bem antigos. A parte frontal é feita em mármore.





Pormenor do karanvasai


Vimos, ainda, um extinto vulcão: o Argeu que domina a paisagem com 3917 m de altura!





Já era bem de noite quando chegamos ao hotel na Capadócia, num cenário único e bem surreal. Depois do jantar, fomos ver o espectáculo dos Dervixes, neste local:




Estes realizam rituais de dança e possuem roupas cheias de simbolismo. Por exemplo, o chapéu cónico representa a pedra tumular e o manto negro a própria tumba. Depois de retirarem a capa, eles procuram aliar-se a Deus e  juntar-se ao Universo, num estado profundo de transe, ao rodopiarem em torno do seu próprio eixo, durante vários minutos (são algumas sequências de 10 minutos cada). A mão direita aponta para cima para receber a vontade de Deus e a mão esquerda aponta para baixo, para a distribuir na terra, uma experiência deveras espiritual e muito envolvente.

Aí está uma imagem oferecida pela nossa guia, já que não era permitido tirar quaisquer fotos, durante o "espectáculo".